Suspeitos de ligação ao atentado começaram a ser interrogados no Kuwait

Na sequência do ataque suicida que matou 27 pessoas, as autoridades kuwaitianas prometem tomar todas as medidas necessárias para extirpar o "flagelo" terrorista. O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

Governo diz que ataque atingiu a unidade do país, que tem um registo de boas relações entre sunitas e xiitas
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O ataque aconteceu numa mesquita xiita onde estavam reunidos cerca de dois mil crentes Jassim Mohammed / Reuters

As autoridades kuwaitianas detiveram e começaram a interrogar vários suspeitos de ligação ao atentado suicida de sexta-feira, que matou 27 pessoas e feriu 227 numa mesquita xiita Iman Al-Sadiq, revelou à Reuters uma fonte das forças de segurança do pequeno país do Golfo Pérsico. O atentado aconteceu no mesmo dia em que na cidade costeira de Sousse, na Tunísia, 39 pessoas foram mortas num ataque terrorista. Ambos foram reivindicados pelo ISIS, o auto-denominado Estado Islâmico (EI).

Num comunicado publicado numa rede social na manhã deste sábado, o EI identificou o bombista suicida como sendo Abu Suleiman Al-Muwahed e referiu-se à mesquita onde aquele se fez explodir como “um templo de negacionistas”, termo usado pelo grupo terrorista sunita para designar os xiitas, que consideram heréticos. Este foi o primeiro atentado no Kuwait contra xiitas, que representam cerca de um terço da população de 1,3 milhões, e também o primeiro no país a ter como alvo uma mesquita.

O Ministério do Interior colocou a polícia e todas as forças de segurança em alerta e declarou este sábado como dia de luto. “O gabinete ministerial acentua que tomará todas as medidas necessárias para extirpar este flagelo, e anuncia um confronto implacável com estes terroristas”.

“Este acontecimento tem como alvo a nossa unidade nacional”, afirmou à Reuters o primeiro-ministro kuwaitiano, Sheik Jaber al-Mubarak al-Sabah, “mas será muito difícil para eles e nós seremos mais fortes”. O general Abdullatif bin Rashid al-Zayani, secretário geral do Conselho de Cooperação do Golfo classificou o atentado como “um crime horrível" contra "os valores islâmicos”.

A bomba foi detonada quando cerca de dois mil crentes cumpriam as orações de sexta-feira, as mais concorridas, principalmente no período do Ramadão, que teve início há uma semana.