O feitiço virou-se contra o feiticeiro

O país parou para ver um vídeo de 13 minutos no qual vemos um adolescente ser agredido por duas raparigas com idades próximas sob o olhar passivo dos amigos. A intenção de quem o divulgou no Facebook terá sido a de prolongar, com um só gesto, tanto a humilhação da vítima como o espírito lúdico e o espectáculo no qual o grupo quis transformar o que não é mais do que um acto injustificável e incompreensível de violência. Mas a publicação nas redes sociais teve um surpreendente efeito pedagógico. O FB acabou por contribuir para a censura social e colectiva da violência entre os adolescentes. Uma vez publicado, o vídeo gerou uma inédita onda de indignação e ajudou a sublinhar o que nem sempre é óbvio entre os jovens: este tipo de violência é errado e é crime. Neste caso, os agressores saberão o que estão a fazer: sempre que alguém passa param de bater. Esperariam eles um momento de heroísmo digital ao publicarem o vídeo na Internet? Se foi esse o plano, não correu bem: a vítima está a receber mensagens de solidariedade de todo o país e os agressores vão provavelmente ser levados a tribunal. O feitiço virou-se contra o feiticeiro.