Paulo Ricca
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Paulo Ricca

Baixa e a Alta de Coimbra ligadas pelo Jardim Botânico

Trajecto pretende criar uma alternativa ao Quebra-Costas. Obras feitas em parceira entre Universidade de Coimbra e município devem estar concluídas em cinco meses

A partir de Setembro, a ligação entre a beira-rio e a zona alta da cidade poderá passar a ser feita através do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (UC). Consignada nesta quinta-feira neste espaço verde, a obra que vai ligar a rua da Alegria à rua do Arco da Traição passará a permitir um itinerário pela zona classificada como Património Mundial da Unesco. A alternativa — actualmente o percurso mais utilizado pelos turistas — implica subir (ou descer) as íngremes escadas do Quebra-Costas.

Com um prazo de 150 dias e um orçamento de 350 mil euros, a intervenção não passa apenas pela abertura do percurso ao público. Planeadas estão também a recuperação e restauro de um troço da antiga muralha e torre, das capelas de São Bento e de Santo Elídio e da casa do reservatório.

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, referiu a importância da concretização da parceria entre a universidade e a autarquia ao “possibilitar a criação de alternativa de circulação” aos turistas que querem subir ou descer a zona universitária. A totalidade dos custos vai ser assumida pelo município, sendo que não está posta de parte a candidatura a financiamento comunitário. O autarca sublinhou a importância deste espaço para a cidade.

O reitor da UC, João Gabriel Silva, salientou a “melhoria do carácter de espaço público” do Jardim Botânico, onde decorre “a maior intervenção desde o século XIX”. Para o reitor, o alargamento da oferta de percursos aos turistas está relacionado com o aumento do “potencial de atracção”, um objetivo comum entre universidade e município.

Com cerca de 800 metros de extensão, o percurso vai, segundo Manuel Machado, estar aberto "de sol a sol", encerrando à noite para preservar os espaços. O projecto visa ainda a recuperação de património existente na Mata do Jardim Botânico (fechada há décadas e desconhecida da maioria da população da cidade) e a criação de dois percursos: o da Água e o da Muralha. Desta forma, o novo itinerário permite também aproximar quem visite a Alta das estruturas situadas no Parque Dr. Manuel Braga (beira-rio), como o Museu da Água. Uma outra estrutura a ser recuperada no Botânico será a primeira cisterna de armazenamento de água para abastecimento da cidade.

Manuel Machado referiu a intervenção como tendo carácter “ambiental, paisagístico, arqueológico e científico”, uma vez que combina trabalhos em várias áreas do jardim. A instalação de sistemas de iluminação, de painéis de interpretação, a introdução de sinalética, a pavimentação e estabilização de taludes e a erradicação de espécies vegetais invasoras estão também incluídos no projecto.

No início de 2014, o autarca de Coimbra já tinha manifestado a vontade de concretizar esta estrutura de ligação, que teria sido idealizada no âmbito do Programa Polis. No futuro, a autarquia pretende ainda implementar um sistema de transporte público ecológico que possa ajudar a combater a inclinação do terreno, não estando ainda definido o seu modelo. O objectivo passa também por retirar parte da pressão do estacionamento verificado na Alta Universitária, uma vez que o Parque Verde (na Baixa da cidade) está dotado de áreas reservadas para esse efeito.