O Inverno continua a desenhar-se com cor no Portugal Fashion

Ao terceiro dia, a moda portuguesa para o Inverno 2016 transferiu-se para um dos mais emblemáticos edifícios do Porto.

Foto
Uma das criações que Anabela Baldaque levou ao Porto Portugal Fashion

A luz natural do final de tarde desta sexta-feira iluminou o Pátio das Nações do Palácio da Bolsa, no centro histórico do Porto, e as propostas de Ricardo Preto para a próxima estação. Depois foram os dourados do Salão Árabe que fizeram brilhar as colecções dos criadores nacionais.

A marca Meam de Ricardo Preto, uma segunda linha pensada para fazer uma ponte com a indústria, abriu a passerelle com uma colecção inspirada em Danza Preparata, a peça de Rui Horta em homenagem ao compositor norte-americano John Cage. Estas sonoridades contrastantes materializaram-se em macacões, saias justas e vestidos com formas desconstruídas para as mulheres e calções e casacos com toque desportivo para os homens. “Quis levar esse mix de emoções da obra para a passerelle tanto a nível de styling como de silhueta. Fiz coisas simples e outras grandes, complexas com vários cortes”, explica Ricardo Preto ao PÚBLICO.

A paleta de cores variada do designer, que nesta linha feita em fábrica trabalha com malhas de fibras naturais e “uma filosofia trendy” mais sporty, contrastou com a do menswear de Estelita Mendonça, onde o preto e o cinza escuro imperaram em túnicas, camisas estruturadas com painéis em pele e calças — um “uniforme de trabalho criativo”.

No Salão Árabe, uma sala com recortes em folha de ouro onde também Estelita Mendonça apresentou, Susana Bettencourt voltou a trabalhar linhas digitais, como fez na estação passada, com estampados em preto e branco e jacquards, mas desta vez introduziu riscas, camuflados e acessórios em metal cor de bronze. A designer especializada em malhas trabalhou tecidos fluidos, malhas volumosas e caneladas. Foi também na sala dourada que a plataforma Bloom apresentou — primeiro o trio de jovens designers KLAR, com muitas riscas, pretos, brancos e vivos cor-de-rosa, e ao final da noite Pedro Neto, numa colecção marcada por tecidos pretos plissados, malhas e lãs verde musgo e franjas como remate de saias compridas.

Antes da hora de jantar, Anabela Baldaque apresentou a sua Hora do Chá, novamente no Pátio das Nações. Na colecção estreada em Madrid, Anabela Baldaque mostrou ser, à semelhança de Ricardo Preto, apaixonada por cor. Laranja, amarelo, negro e vários tons de azul foram os tons escolhidos para casacos, cachecóis-camisa e calções, criados com tweeds de flores, xadrezes e malhas orgânicas como o lurex.

Carlos Gil trouxe poker à noite, numa mistura de estilos e silhuetas, e Diogo Miranda — o mais aplaudido num dia em que as palmas foram quase totalmente substituídas pelas fotos no final dos desfiles — viajou de Paris para o Porto com uma colecção de linhas arquitectónicas, com ombros acentuados, mangas largas, cinturas definidas e ancas exageradas.

Coube a Miguel Vieira encerrar o terceiro dia, com música ao vivo e a sua paleta eterna de bordôs, antracite, castanho licor, preto carvão ou azul em jacquard visto em saias volumosas e vestidos de cintura cingida para as mulheres e os habituais fatos masculinos.

Este sábado, último dia do evento, é a vez de 15 marcas de calçado e indústria e de designers como Nuno Baltazar ou Fátima Lopes pisarem a passerelle, na casa-mãe, a Alfândega do Porto.

A jornalista está hospedada a convite do Portugal Fashion