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Cinco companhias mudam regras de acesso ao cockpit após acidente dos Alpes

Terá de haver sempre duas pessoas na cabine do piloto.

O acidente da Germanwings pôs em causa os procedimentos de segurança europeus
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O acidente da Germanwings pôs em causa os procedimentos de segurança europeus Wolfgang Rattay/REUTERS

As companhias aéreas EasyJet, Norwegian, Icelandair, Air Canada e Air Transat vão passar a impor a presença em permanência de duas pessoas no cockpit dos aviões, numa reacção à informação de que o acidente da Germanwings foi provocado pelo co-piloto, depois de impedir a entrada do piloto.

“Quando um ocupante sair do cockpit, passará a ser exigido que nele permaneçam duas pessoas”, explicou à AFP o responsável de operações de voo da companhia low cost norueguesa Norwegian, Thomas Hesthammer.

"É algo que discutíamos há muito tempo, mas este episódio acelerou o processo", acrescentou, precisando que a alteração das regras vai ser aplicada a partir de sexta-feira, uma vez obtida a aprovação da autoridade norueguesa de aviação civil.

Gudjon Arngrimsson, porta-voz da islandesa Icelandair, anunciou a adopção da mesma medida. O mesmo fizeram as canadianas Air Canada e Air Transat, que informou que aplicará medida idêntica. “Decidimos que haverá sempre duas pessoas no cockpit. Quando um dos dois pilotos sair, entra um chefe de cabine”, disse a porta-voz da transportadora, Debbie Cabana, precisando que a medida será aplicada a partir de sexta-feira.

Outra low-cost anunciou entretanto a mesma decisão: “A EasyJet confirma que, com efeito a partir de amanhã 27 de Março, vai mudar os seus procedimentos o que quer dizer que haverá sempre dois membros da tripulação no cockpit”, disse a companhia em comunicado.

“Estamos a aprender que não é desejável que esteja apenas uma pessoa no cockpit”, afirma o comandante Miguel Silveira, presidente da Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea. Silveira garante que ter sempre duas pessoas na cabina de comando é uma norma corrente nos aviões portugueses. 

E alerta para “as teorias peregrinas de que basta um piloto para comandar um avião”. Em 2010, o dono da Ryanair, Michael O'Leary, sugeriu numa entrevista que os co-pilotos eram desnecessários nas aeronaves modernas.

As regras actuais para a aviação civil europeia não impõem a presença permanente de duas pessoas no cockpit quando um dos seus ocupantes, o piloto ou o co-piloto, tenha de se ausentar por qualquer razão.

No entanto, a companhia finlandesa Finnair já aplicava esta medida. "O manual já prevê duas pessoas em permanência no cockpit. Se um piloto se quiser ausentar, outro membro da tripulação tem obrigatoriamente de entrar", explicou a porta-voz da Finnair, Päivyt Tallqvist.

A investigação ao acidente em França conclui que o piloto do voo da Germanwings se ausentou do cockpit, provavelmente para usar a casa de banho, e foi impedido de voltar a entrar pelo co-piloto, que bloqueou a porta. Nesse período, o co-piloto accionou deliberadamente o processo de descida do avião, ignorando as pancadas na porta, as tentativas de comunicação da torre de controlo e os alarmes do próprio aparelho.

O avião acabou por embater numa montanha, matando todas os 144 passageiros e seis tripulantes a bordo. com Lusa

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