Jeremy Price / Flickr
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Eu estou, mas não sou desempregada

Embora os números mais recentes testemunhem uma alegada pequena descida no número de desempregados inscritos no IEFP, a verdade cruel é que já somos muitos. Demasiados

Após uma longa vida activa, a rotina mudou de rumo até a uma época onde os despertadores não passam de peças decorativas, saudosos dos tempos onde aquele barulho ensurdecedor era sinónimo de recomeço profissional.

Dia após dia. Assim vivem milhares de portugueses. Embora os números mais recentes testemunhem uma alegada pequena descida no número de desempregados inscritos no IEFP, a verdade cruel é que já somos muitos. Demasiados.

Sabemos de cor e salteado que os dias se arrastam divididos bipolarmente entre uma dose de empreendedorismo e a total ausência de fé num futuro cada vez mais distante. O computador e o sofá são agora os nossos melhores amigos. É ali que juntos esmiuçamos todos os anúncios "online", pequenos "shots" de esperança que, na maioria das vezes, se desvanecem em menos de cinco segundos.

O mundo continua lá fora, imune a esta realidade que pode, mesmo, atingir qualquer um. Cá dentro sentimo-nos desvalorizados, como se a sociedade fosse incapaz da empatia, de se colocar na nossa pele outrora recheada de sucesso. Sim, já estivemos do lado de lá e a dança das cadeiras continua. Uma dialéctica que vale também quando o assunto é positivismo.

Nesta história o era uma vez encara um copo meio cheio. A pausa, por mais dolorosa que seja, deve ser sempre sinónima de novas oportunidades. Um novo curso, uma nova área, uma nova cidade, um novo peso, mais saúde, um novo amor. Tudo é válido para encarar de frente o estigma mais forte dos nossos dias. Os mesmos que passam devagar, testemunhas de uma única verdade: eu estou, mas não sou desempregada.