Editorial

Um Islão “europeu” mas vigiado por lei

O Governo da Áustria quis modernizar, e bem, a lei que rege o estatuto dos muçulmanos austríacos, a Islamgesetz, considerada uma lei modelo quando foi criada, há mais de um século, mas desactualizada pelo tempo. E se nela fez várias alterações que agradaram às comunidades locais (reconhecimento de dias sagrados, direito a apoio espiritual em várias instituições, direito à alimentação de acordo com preceitos religiosos), registou, ao mesmo tempo, uma alteração que levantou protestos: a proibição de mesquitas e imãs receberem apoio financeiro do exterior (coisa que as religiões cristã, protestante ou judaica podem fazer, sem problemas). Se a Áustria pensa, desta forma, atenuar ameaças de terrorismo, erra. Reduzir e vigiar os direitos aos muçulmanos moderados não diminui a pressão do radicalismo, pode até ter o efeito contrário. E servir de acha a uma indesejável fogueira.