Marko Djurica/Reuters
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Yanis Varoufakis, a Grécia e o Euro

Varoufakis tem mobilizado as suas capacidades retóricas e os seus argumentos em diversas capitais europeias, procurando "vender" o seu plano para a dívida grega. A receptividade a esse plano, como se esperaria, não tem sido entusiástica, quer no BCE, quer na Alemanha ou no Norte da Europa

Yanis Varoufakis é economista. É professor universitário, perito em teoria dos jogos. Era consultor da Valve. Foi co-autor, com o trabalhista britânico Stuart Holland, de um plano para, segundo os autores, resolver a crise da dívida da Eurozona, que vai já na quarta revisão (“Modest Proposal for Resolving the Eurozone Debt Crisis”). E é agora o Ministro das Finanças da República Helénica no Governo de Alexis Tsipras.

Yanis Varoufakis é uma pessoa inteligente, que procura fundamentar e sustentar tecnicamente as posições que vem assumindo publicamente. Tem uma capacidade retórica admirável, defendendo as suas ideias numa linguagem simples, escorreita e impressiva. Aliás, vejam-se a este propósito duas recentes entrevistas televisivas (uma na Irlanda, antes da eleição, e outra no Reino Unido, depois da eleição), e leia-se o seu blogue.

Enquanto Ministro das Finanças, Varoufakis herda um orçamento já com saldo primário positivo, mas também uma dívida imensa e uma máquina fiscal disfuncional, incapaz de cumprir a sua função. Herda uma situação em que o Estado grego depende, literalmente, de financiamento exterior para fazer face aos seus compromissos de curto prazo, e o dinheiro está a esgotar-se. E herda uma situação em que grande parte da dívida grega está com o FMI e com a União Europeia, e não com investidores privados.

Houve já dois resgates à Grécia, incluindo um (substancial) perdão de dívida. O Estado grego tem já saldos primários positivos e houve um regresso (tímido) ao crescimento económico. Não foram implementadas muitas medidas dos Memorandos com a Troika, incluindo a reforma do aparelho fiscal no sentido de o tornar funcional. Tendo recebido os empréstimos, o Estado grego pretende agora, sob a égide de Alexis Tsipras e Yannis Varoufakis, substituir a "austeridade"(no qual incluem reformas estruturais importantes para o futuro crescimento sustentado da Grécia) pelo "investimento público".

Apesar dos saldos primários positivos e o regresso (tímido) ao crescimento económico, a "austeridade" teria "falhado". Apesar de muitas medidas terem ficado por implementar, os Memorandos de Entendimento são para deitar fora, em nome da "soberania" e do "crescimento". Assim, Yannis Varoufakis tem mobilizado as suas capacidades retóricas e os seus argumentos em diversas capitais europeias, procurando "vender" o seu plano para a dívida grega. A receptividade a esse plano, como se esperaria, não tem sido entusiástica, quer no BCE, quer na Alemanha ou no Norte da Europa.

Yannis Varoufakis afirma peremptoriamente que quer a Grécia no Euro, porque os custos da saída, para a Grécia, seriam imensos. Do outro lado, encontra quem tema a destruição do Euro e da União Europeia, espoletado por um efeito dominó da "Grexit". Mas a defesa generalizada do Euro e da União Europeia não é garantida para sempre, e não existe apenas democracia na Grécia. E é importante que Yannis Varoufakis e o Governo grego não se esqueçam disso.

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