Papa abre caminho à beatificação do arcebispo Óscar Romero

Francisco decreta que o arcebispo de El Salvador morreu como mártir, após anos de bloqueio da Igreja por causa de potenciais ideias marxistas do prelado.

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Apoiantes de Romero assinalam aniversário do seu assassínio em São Salvador Ulises Rodriguez/Reuters

O Papa Francisco decretou que o arcebispo de El Salvador Óscar Romero, assassinado a tiro enquanto celebrava uma missa em 1980, morreu como um mártir, o que abre caminho à sua beatificação

O arcebispo foi muito crítico do regime militar e da repressão do Exército durante a guerra civil que opôs o Governo aos rebeldes de esquerda entre 1980-1992 e muitos questionam-se se foi morto pela sua fé ou pela sua política de apoio aos pobres. Romero foi assassinado um dia depois de um sermão em que pedia aos soldados do país para pararem de levar a cabo as políticas de opressão e de violação de direitos humanos do regime.

Durante anos, a Igreja bloqueou o processo, por ter preocupações de que ele tivesse ideias marxistas pelo seu apoio à teologia da libertação, que defende que Cristo não só procurou libertação do pecado mas de todos os tipos de opressão.

Francisco reabriu o processo de Romero, um dos heróis dos católicos da América Latina, quando foi eleito Papa em 2013. No decreto desta terça-feira, considera-se que foi morto “por ódio da fé”.

A Igreja pode considerar mártires pessoas que tenham sido mortas por causa da religião, e os mártires podem ser beatificados mesmo que não lhes tenha sido atribuído milagre – para que possam ser depois canonizados é que é sempre preciso um milagre.

Não foi ainda estabelecida uma data para a beatificação. Francisco não disse quem iria presidir à cerimónia, a realizar em São Salvador. Recentemente, tinha afirmado que caberia ao responsável da Congregação para a Causa dos Santos, Angelo Amato, e ao prelado que defendeu a causa de Romero, Vincenzo Paglia, decidir quem o vai beatificar. Francisco tinha mesmo feito um comentário antecipando que haveria “uma guerra” entre os dois para decidir quem teria a honra de presidir à cerimónia.

O Papa aprovou ainda decretos a conceder o estatuto de mártires a três padres mortos no Peru em 1991 e um decreto de virtude heróica para um padre italiano que morreu em 1941.

O caso de Romero pode ser um precedente para uma interpretação mais lata de mortes por ódio à fé, por ter um entendimento mais vasto do que uma acção apenas contra a crença da pessoa, passando a englobar um antagonismo também em relação ao trabalho feito pela pessoa por causa da sua fé. 

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