As picadelas que o Zambujo dá

É certo que a música de António Zambujo, se tirou bilhete no fado, muitas picadelas por outras sonoridades dá. Prestando-se melhor a fantasias, diríamos coloridas, do que o pesar de um fado menor. Não que este género não o permita, apenas é mais conservador na mudança que se impõe na importante vertente audiovisual da música: deixou quase completamente a televisão para triunfar categoricamente na internet. E à qual a formalidade interpretativa, baseada no cânone televisivo, não se adequa tão bem aos comportamentos de fruição online. A solução pode passar por desconstruir alguns elementos visuais da performance musical (e não seria agressivo, basta jeito e saber), ou fazer que ela surja bem integrada numa ficção. Seria o perfeito “2 em 1”: a narrativa gera a envolvência com o espetador e o sentido promocional da imagem performativa do artista é vinculado. Mais. Com a elegância dos movimentos de câmara, os truques de realização, a sequência do sonho com a banda da Carris, e toda a encenação (mix Amélie/Amália) a favorecer a letra, o realizador Filipe C. Monteiro consegue que este “Pica do 7” seja um dos mais graciosos videoclipes portugueses recentes.

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