Opinião

Um belo Houellebecq

Houellebecq escreveu mais um romance giro, divertido e leve.

No domingo, tive o prazer de ler Soumission de Michel Houellebecq. É uma fantasia política sobre um académico com 44 anos, fascinado por Huysmans, cuja vida sexual parece ter acabado quando a namorada judia emigra para Israel.

Estamos em 2022. A vitória eleitoral de um talentoso, simpático e inteligente político chamado Mohammed Ben Abbes, o dirigente do novo partido Fraternité Musulmane, leva-o a coligar-se com o medíocre François Beyrou, do Mouvement Démocrate.

A piada do romance é demonstrar como é que uma França com um islamismo soft (o álcool e a prostituição são permitidos) convém ao protagonista e a outros homens agnósticos de meia-idade. São-lhe asseguradas três mulheres. Em contrapartida, sofrem todas as mulheres, os ateus e os judeus.

A tristeza do romance é a tristeza da velhice: François deixa de ser o reles amante que chegou a ser. Assim como as prostitutas que têm pena dele não lhe dão prazer, é provável que as mulheres a que tem direito como polígamo — esta mais erótica, aquela mais boa cozinheira e outra com a virtude ou amoralidade de estar no meio também não lhe tragam as mais pequenas alegrias.

A maior das consolações em Soumission é a literatura. A conversão ao catolicismo de Huysmans, autor de À rebours, nunca foi tão empaticamente explicada como um sacrifício conveniente e burguês aos confortos da vida monástica, vista como hotel de segunda classe.

Houellebecq escreveu mais um romance giro, divertido e leve.