Dívidas da ADSE a hospitais privados podem deixar beneficiários sem assistência

Foto
Enric Vives-Rubio

Vários hospitais privados estão sem receber pagamentos da ADSE desde Outubro, o que preocupa a associação que os representa e que teme o futuro da assistência aos beneficiários deste subsistema e até a sobrevivência de algumas unidades de saúde.

O presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada (APHP), Artur Osório, disse à agência Lusa que o atraso dos pagamentos da Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE) começaram em Outubro.

“Formalmente, os nossos associados ainda não informaram a associação destes atrasos. Temos conhecimento, por unidades de saúde que nos vão comunicando a situação, a qual está a preocupar-nos muito”, disse.

Artur Osório lamenta este atraso, principalmente porque as verbas deste subsistema “são provenientes do pagamento dos beneficiários”.

Segundo o presidente da APAH, que dirige também uma unidade de saúde privada, alguns dos hospitais com montantes por cobrar à ADSE foram informados de que este subsistema estava “sem cabimento orçamental” e que não deveria conseguir efectuar pagamentos até ao final deste ano.

“Os beneficiários da ADSE correm o risco de perder o atendimento nestas unidades de saúde que contam, em muito, com as verbas da ADSE.

Em alguns casos, avançou, o volume de negócios oriundo de serviços prestados a beneficiários da ADSE chega aos 50%, sendo em média na ordem dos 30%.

“Muitos prestadores trabalham no limite, nomeadamente os mais pequenos. A falta deste pagamento pode provocar rupturas, impedindo-os de cumprir os compromissos para com os profissionais ou os fornecedores”, alertou.

“Isto é um abuso da parte do Estado em relação ao dinheiro dos beneficiários que já realizaram os seus pagamentos e que podem, desta forma, ser privados de uma assistência, para a qual contribuíram”, adiantou.

A APHP aguarda a comunicação oficial dos prestadores para avançar com iniciativas para resolver a situação, nomeadamente um contacto junto do Ministério das Finanças

Sugerir correcção