Afinal o olhar de Sophia Loren para Jayne Mansfield era de medo

57 anos depois, a actriz italiana conta finalmente o que lhe passava pela cabeça na foto em que observa nada discretamente Jayne Mansfield.

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“Ela sabia que toda a gente estava a ver. Sentou-se. E, bem, ela estava quase… Ouça. Veja a foto. Onde estão os meus olhos? Estou a olhar para os seus mamilos porque estava com medo que viessem parar ao meu prato”.
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Durante décadas perguntámo-nos o que passaria pela cabeça de Sophia Loren no momento em que a foto, aquela foto, foi tirada. Essa: a de Loren olhando pouco discretamente (não há discrição possível com paparazzi por perto) para o decote da voluptuosa Jayne Mansfield. 57 anos depois, soubemos por fim. Aos 80 anos, a actriz nascida em Puzzuoli, nos arredores de Nápoles, contou o que lhe ia na cabeça.

Em entrevista à Entertainment Weekly desde a sua casa na Suíça, a diva italiana conta que tudo se passou numa festa organizada pela Paramount em sua honra, em Beverly Hills. Ela tinha 23 anos e via na sua festa “todo o [meio do] cinema, foi incrível”, recorda. “E então aparece a Jayne Mansfield, a última a chegar”.

Mansfield dirigiu-se de imediato para a mesa de Loren. “Ela sabia que toda a gente estava a ver. Sentou-se. E, bem, ela estava quase… Ouça. Veja a foto. Onde estão os meus olhos? Estou a olhar para os seus mamilos porque estava com medo que viessem parar ao meu prato. Consegue ver o medo no meu rosto. Estou cheia de medo que tudo no seu vestido vá rebentar – Boom! – e que se derrame pela mesa”. Mistério desfeito. Não, não era inveja. Era medo.

Sophia Loren fez a revelação, desvendando aquele que é, provavelmente, o mais duradouro mexerico de Hollywood por resolver (já sabemos, era medo, medo!), no âmbito da promoção da sua autobiografia Yesterday, Today and Tomorrow: My life, publicada dia 4 de Novembro. Loren escreveu-a depois de descobrir uma série de cartas e outras lembranças na sua casa suíça. Nela conta da sua relação pouco harmoniosa com Marlon Brando (não respondeu bem aos seus avanços e o actor sentiu-se despeitado).

Conta também como Cary Grant, durante o romance vivido com ela durante a rodagem de The Pride And The Passion, de 1957, o mesmo ano em que foi registada a famosa foto, quis que ambos rezassem para o divino lhes indicasse o caminho. Deveria ele abandonar a sua terceira mulher, Betsy Drake? Deveria ela terminar o noivado com o produtor Carlo Ponti, o homem que a descobrira em Roma enquanto La Regina del Mare (A Rainha dos Mares), título ganho num concurso de beleza? Não sabemos o que terá comunicado a divindade ao par. Sabemos o que decidiu Loren. “Tive que fazer uma escolha. Carlo era italiano, pertencia ao meu mundo. Sei que foi a decisão correcta para mim (…) Não conseguia decidir-me a casar com um gigante de outro país e abandonar o Carlo”, afirmou há dois anos, como citada pelo Guardian em artigo de apresentação da autobiografia publicado em Outubro.

Ainda quanto à foto, saiba-se que Sophia Loren continua a deparar-se com ela a intervalos regulares. “Dão-ma muitas, muitas vezes, para autografar. Nunca o faço. Não quero ter nada a ver com isso. E também por respeito a Jayne Mansfield, porque ela já não está connosco”.