Agência Espacial Europeia lança centro de incubação de empresas em Portugal

Centro vai ser gerido pelo Instituto Pedro Nunes, de Coimbra, e terá 1,5 milhões de euros para que 30 empresas dêem usos quotidianos a tecnologias espaciais.

Lançamento de um foguetão Ariane 5, em Kourou, na Guiana Francesa
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Lançamento de um foguetão Ariane 5, em Kourou, na Guiana Francesa ESA

O primeiro Centro de Incubação de Negócios da Agência Espacial Europeia (BIC-ESA, sigla em inglês) em Portugal é lançado nesta quarta-feira, no 5º Fórum do Espaço, em Lisboa. O centro pretende apoiar 30 empresas portuguesas recém-criadas que queiram transformar tecnologias patenteadas pela ESA, e que foram desenvolvidas no contexto espacial, em produtos para serem usados na Terra. O Instituto Pedro Nunes (IPN), de Coimbra, vai gerir este centro que tem mais dois pólos, um no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e outro na Agência DNA Cascais, no distrito de Lisboa.

Qualquer empresa com quatro ou menos anos de idade poderá candidatar-se com um projecto no site www.space.ipn.pt. “O caso mais natural é olhar-se para o portfólio de patentes da ESA e encontrar-se uma aplicação para a Terra”, explicou ao PÚBLICO Carlos Cerqueira, director do Departamento de Inovação do IPN, acrescentando que para as actividades espaciais é desenvolvida “tecnologia de ponta”, que foi muito testada. Mas também poderá haver casos de empresas a desenvolver tecnologia para o espaço que poderão, depois, aplicar esse produto para uma dada função na Terra.

A nível regional, os três pólos vão mostrar o portfólio de patentes a potenciais ou a recém-empresários. A primeira fase de avaliações dos projectos candidatados será em Fevereiro de 2015. As empresas que conseguirem entrar neste programa receberão 50.000 euros para trabalhar no seu protótipo e poderão estabelecer-se fisicamente num dos três pólos da BIC-ESA. Além disso, a ESA dará apoio científico, facilitando a aprendizagem da tecnologia com que cada empresa irá trabalhar. O programa tem 1,5 milhões de euros disponíveis para as três dezenas de empresas, e que virão da ESA e dos fundos comunitários para as regiões.

Um outro objectivo da BIC-ESA é ajudar as empresas a procurar mais financiamentos. Segundo Carlos Cerqueira, a incubadora espera ajudar a captar mais 6,5 milhões de euros entre as 30 empresas.

Ao fim de quatro anos, a ESA vai avaliar se a incubadora portuguesa tem condições para continuar. Este é a 10ª BIC-ESA europeia, por exemplo em França, Espanha, Holanda e Alemanha.