Chuva intensa corta estradas e provoca inundações em Lisboa

Três semanas depois, várias zonas da cidade voltaram a ficar debaixo de água.

Fotogaleria
Pensar Lisboa
Fotogaleria
António Prôa
Fotogaleria
Alcântara debaixo de água Pensar Lisboa
Fotogaleria
Pensar Lisboa
Fotogaleria
Pensar Lisboa

A Calçada de Carriche e os túneis da Avenida João XXI e do Campo Grande, em Lisboa, estão cortados ao trânsito nos dois sentidos devido à acumulação de água provocada pela chuva intensa. Há também registo de inundações em vários pontos da cidade.

O túnel da Avenida João XXI foi cortado ao trânsito por volta das 16h15 desta segunda-feira, nos dois sentidos, devido à acumulação de água provocada pela chuva intensa, disse fonte policial. Segundo a mesma fonte, na Baixa de Lisboa, entre a Rua da Prata e a Praça do Comércio, apenas circulam viaturas pesadas.

Também a Calçada de Carriche foi cortada ao trânsito, nos dois sentidos, pelas 16h, devido à acumulação de água provocada pela chuva intensa. No local encontram-se elementos da PSP, que estão a desviar o trânsito até que estejam reunidas as condições para reabrir a via.

Pelas 17h05, também os túneis do Campo Grande, em Lisboa, se encontravam encerrados ao trânsito.

O mesmo acontecia na Avenida Dr. Augusto Castro, onde se verificou a entrada de água para a estação do Metropolitano de Chelas.

Fonte do Metropolitano de Lisboa informou que algumas estações foram afectadas pela entrada de água e lama, estando um dos acessos à estação do Rossio encerrado para limpezas, assim como metade do átrio norte da Estação do Jardim Zoológico. Contudo, estas ocorrências não interferiram com o normal funcionamento dos comboios do metro.

A chuva intensa que caiu, ao início da tarde, na capital causou também diversas inundações em vários pontos da cidade.

Segundo a página de Internet do Regimento dos Sapadores Bombeiros (RSB), entre as 15h39 e as 15h59 foram registadas inundações em Benfica, São Domingos de Benfica, Olivais e Misericórdia, entre outras. Parque das Nações, Estrela, Alvalade, Santa Clara, Campolide, Ajuda e Santo António são outras zonas da cidade afectadas.

Pedro Patrício, comandante do Regimento Sapadores de Bombeiros de Lisboa, disse à agência Lusa que uma pessoa foi arrastada pelas águas na zona de Xabregas, tendo ficado com algumas escoriações.

De acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), aquela freguesia foi bastante afectada pela chuva, nomeadamente Alfama, parte da Mouraria e a Baixa lisboeta. Na freguesia de Santo António, a Rua das Pretas ficou inundada, segundo o presidente da junta, Vasco Morgado (PSD).

Também no Aeroporto de Lisboa a chuva que se fez sentir durante a tarde fez com que entrasse água em vários pontos do Terminal 1.

Esta segunda-feira, a maré baixa foi às 12h59 e a preia-mar será às 19h33.

Os vereadores do PSD e do PCP na Câmara de Lisboa já reagiram a esta situação, que se verificou exactamente três semanas depois de a última grande chuvada de Verão ter provocado o caos na cidade. Nessa altura, o vereador da Protecção Civil, Carlos Castro, acusou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera de não ter previsto tanta chuva, acrescentando que a cidade teve de se preparar "à última hora".

Numa declaração enviada ao PÚBLICO, o vereador António Prôa começa por apontar "o que mudou". "Desta vez a maré estava longe de estar cheia, o aviso laranja foi anunciado com antecedência, não é possível atribuir as culpas nem à maré nem aos meteorologistas, já ninguém acredita que estes fenómenos são pontuais, já não apareceu nenhum vereador para fazer declarações precipitadas", sintetiza o autarca social-democrata.

E o que se mantém? “Inundações! Problemas de obstrução de sarjetas, sumidouros e colectores; colectores em mau estado; falta de investimento na rede de esgotos; plano de drenagem pronto desde 2007 por implementar; impermeabilização excessiva dos solos; incorrecto planejamento urbano." A essa lista o vereador do PSD acrescenta um outro ponto comum entre aquilo que se verificou a 22 de Setembro e esta segunda-feira: “Um presidente da câmara que continua a não dar a cara e a estar presente junto aos problemas da cidade.”

Já o PCP sublinha que as inundações agora verificadas afectaram “centenas de pessoas, comércio” e tornaram o trânsito “caótico”. “Importa saber o que é que foi feito pelo PS-António Costa na Câmara Municipal de Lisboa para evitar que esta situação não se voltasse a repetir, que muito lamentamos”, acrescentam os vereadores comunistas em comunicado. Adiantam que já denunciaram publicamente as consequências da não execução do plano de drenagem.  

De acordo com fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Lisboa, há registo de ocorrências devido ao mau tempo nos concelhos de Lisboa, Cascais, Oeiras e Loures.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) emitiu esta segunda-feira um aviso à população na sequência das previsões do agravamento do estado do tempo em todo do país, com vento e chuva fortes.

Em comunicado, a ANPC sublinha que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê para hoje “períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes inicialmente nas regiões do litoral e estendendo-se às regiões do interior no final do dia”; o vento vai soprar "temporariamente forte, com rajadas da ordem de 70 a 80 quilómetros/hora no litoral e terras altas”.

A Protecção Civil refere que o agravamento do estado do tempo pode provocar, entre outros efeitos, “dificuldades de escoamento dos sistemas de drenagem urbanos, nomeadamente durante os períodos de preia-mar, podendo haver inundações em locais historicamente mais vulneráveis”.

 Há ainda a “possibilidade de cheias rápidas em meio urbano e de acumulação de águas pluviais por insuficiências dos sistemas de drenagem”, além de o piso rodoviário ficar escorregadio e poder ocorrer uma eventual formação de lençóis de água.

A ANPC salienta que o impacto destes efeitos “pode ser minimizado através da adopção de comportamentos adequados” e recomenda à população das zonas mais vulneráveis que tome medidas, como desobstruir sistemas de escoamento de águas, fixar estruturas soltas e ter uma condução cautelosa, não atravessando zonas inundadas e tendo especial atenção em áreas arborizadas.