Câmara de Lisboa quer mostrar às crianças que “comer espinafres é muito bom”

No arranque do ano lectivo, o presidente do município anunciou o lançamento de um programa na área da alimentação saudável e de outro na da informática.

Fotogaleria
António Costa assinalou o início do ano lectivo na Escola Básica do Bairro do Armador Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio
Fotogaleria
Enric Vives-Rubio

Cinco anos depois de ter inaugurado a Escola Básica do Bairro do Armador, o presidente da Câmara de Lisboa regressou a este equipamento na freguesia de Marvila para assinalar o início do ano lectivo e o lançamento de dois projectos dirigidos aos alunos do primeiro ciclo. Com um deles, o município pretende incutir hábitos de alimentação saudável às crianças e com outro ensinar-lhes programação.

“Vamos oferecer-vos a possibilidade de chegarem à conclusão que comer espinafres é muito bom”, começou por explicar a vereadora da Educação a alguns dos alunos da escola, antes de lhes oferecer uma fatia de bolo verde e um copo de sumo cor-de-laranja. Graça Fonseca aproveitou também para anunciar às crianças que em breve iriam receber um livro que os ajudaria a perceber “por que é importante não desperdiçar comida”.

Já Nuno Queiroz Ribeiro, o cozinheiro que vai desenvolver este programa com a câmara, lembrou os números negros da obesidade infantil e sublinhou que muitas crianças “comem a mais e muitas vezes o que não devem”. Face a isso, o chef propõe-se introduzir nas ementas escolares “alimentos que as crianças acham que não são capazes de comer”, mas “apresentados de outra forma”.

Discursos concluídos foi tempo de provar, com um ar mais ou menos hesitante, o tal bolo verde, coberto de chocolate, e o sumo cor-de-laranja que ninguém sabia que ingredientes continha. “Dez estrelas, o sumo é dez estrelas”, dizia Daniel aos seus colegas de mesa. E o bolo? “Acho que é de menta, ou sei lá. Não tem sabor a nada”, respondeu o aluno de nove anos, confessando que nunca tinha comido um bolo daquela cor.  

“Estou a gostar do bolo, mas não sei muito bem o que tem”, dizia por sua vez André, também de nove anos, enquanto garantia que come “bem” e que até gosta dos pouco populares brócolos. No fim, quando lhes perguntaram se tinham gostado da refeição, as crianças gritaram um “sim” unânime, mas algumas delas não conseguiram evitar torcer o nariz quando souberam que o bolo tinha espinafres e o sumo cenoura, morangos, pepino, gengibre e limão.

Aos jornalistas, o presidente da câmara explicou que o projecto Refeições Escolares Saudáveis vai dar os primeiros passos neste ano lectivo, durante o qual serão promovidas várias actividades em redor deste tema nas escolas. Segundo António Costa, o grande objectivo é “desmontar a ideia de que há alimentos de que não gostamos”, já que “tudo depende da forma como eles são confeccionados e apresentados”.

Mas só no ano lectivo de 2015/2016 é que os alunos passarão a ter no seu prato as tais refeições saudáveis pensadas pelo chef Nuno Queiroz Ribeiro. Até lá, a câmara prevê lançar quatro livros sobre o desperdício alimentar, da autoria de escritores e ilustradores convidados para o efeito. Segundo a vereadora da Educação, o primeiro, intitulado A Rita encolheu. E agora? estará pronto já daqui a um mês.

Tanto a vereadora como António Costa destacaram que hoje “mais de metade” das escolas do primeiro ciclo do concelho já têm confecção local. O presidente da autarquia explicou que a sua intenção é que no futuro as refeições sejam elaboradas não por empresas, mas por “pessoas da comunidade local”, acrescentando que as novas ementas irão também “valorizar e dar a conhecer” cozinhas de diferentes culturas.

Na Escola Básica do Bairro do Armador foi também anunciado o lançamento do programa Academia de Código Júnior, que arrancará a título experimental nesta e noutras duas escolas já em Janeiro de 2015, podendo depois generalizar-se. A intenção, diz António Costa, é dar aos alunos “formação em aprendizagem de código, em capacidade de programar”, “competências que vão ser necessárias daqui a 15 ou 20 anos”.

Paralelamente, a câmara vai promover, em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, “uma formação intensiva na área de código” para licenciados que estejam desempregados. O autarca socialista frisou que esta é uma área em que “há uma lacuna formativa e uma enorme oferta não preenchida”.

António Costa destacou a importância dos dois programas agora lançados, lembrando que “a escola é muito mais do que um edifício”. O Programa de Apoio à Natação Curricular, através do qual “11 mil crianças aprendem a nadar todos os anos”, e o Passaporte Escolar, ao abrigo do qual os alunos já tiveram acesso a “mais de 225 mil visitas e actividades” fora das escolas, foram também apontados pelo autarca como passos bem sucedidos no sentido de “enriquecer o conjunto de actividades das escolas”.