Sampaio, Alegre, Almeida Santos e Vera Jardim dão apoio a António Costa

Três meses depois de teres subscrito um pedido de "solução rápida" no PS, históricos socialistas assumem preferência de candidato.

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António Costa Daniel Rocha

Os históricos socialistas Jorge Sampaio, Almeida Santos, Manuel Alegre e Vera Jardim declararam nesta terça-feira apoio a António Costa nas eleições primárias do partido, marcadas para 28 de Setembro.

"Decidimos dar o nosso apoio a António Costa. É nossa convicção que, pela sua experiência e capacidade política, António Costa pode levar o PS à vitória e à construção de um novo ciclo de crescimento económico e coesão social, assim como ao reforço da posição estratégica de Portugal na Europa e no mundo", diz o texto assinado pelas quatro personalidades do PS.

A missiva foi lida por Almeida Santos no final de um pequeno-almoço em Lisboa que juntou os quatro históricos ao autarca da capital e candidato nas primárias socialistas. A declaração conjunta é assinada pelo ex-Presidente da República e antigo líder do PS Jorge Sampaio, pelo presidente honorário dos socialistas, Almeida Santos, pelo ex-candidato presidencial Manuel Alegre e pelo ex-ministro da Justiça Vera Jardim.

Há menos de três meses, a 19 de Junho, os mesmos notáveis subscreviam juntos outro documento onde, sem tomar posição por nenhum dos dois adversários António Costa e António José Seguro, se limitavam a pedir uma "solução rápida" para o PS.

Na altura, já a direcção de Seguro tinha decidido que a disputa interna se faria por eleições primárias para candidato a primeiro-ministro, a realizar a 28 de Setembro, os quatro históricos escreviam: “A actual situação interna do PS exige uma rápida clarificação, por forma a que o seu excessivo prolongamento não venha prejudicar a responsabilidade nacional do partido e a enfraquecer ainda mais a nossa já debilitada democracia.”

Esta terça-feira, os socialistas tomam partido. Mas não sem deixar uma palavra a António José Seguro, secretário-geral do partido, referindo que este "merece todo" o "reconhecimento e apreço por ter conduzido o PS numa fase de transição muito difícil".

Após o sufrágio, defendem, "ganhe quem ganhar", o essencial é que "todas as energias se concentrem no essencial", que é "unir e mobilizar o PS e o eleitorado para a construção de uma alternativa política sólida capaz de derrotar a actual coligação PSD/CDS-PP e restituir a esperança aos portugueses".

Isto porque, acrescentam, "o agravamento da crise no país exige agora um PS mais forte e com mais capacidade para agregar e mobilizar os portugueses", dizem os quatro históricos socialistas. A "urgente mudança" de governo, acrescentam, "passa por uma mudança no PS".

Sampaio, Alegre, Almeida Santos e Vera Jardim dizem ainda que as primárias do PS são de "grande importância para o futuro do país", tendo os quatro lançado um apelo para que as pessoas se inscrevam e integrem "uma votação que vai ter uma influência decisiva nas suas vidas".

Costa "orgulhoso" 
Por seu lado, António Costa disse ter ficado "orgulhoso" com o apoio prestado pelos históricos socialistas. "Sinto-me muito orgulhoso de ter recebido mais estes apoios de grandes figuras da história do PS. Significa que de facto esta minha candidatura é um reencontro do PS com a sua identidade histórica. Esta é uma candidatura que pretende unir o partido, trazer de novo para a primeira linha do combate político do PS os melhores dos nossos quadros políticos", declarou o candidato.

Para Costa, é "importante um partido reencontrar-se com a sua identidade histórica", e os apoios que a sua candidatura tem recolhido, nomeadamente de antigos presidentes e secretários-gerais do partido, levam o candidato a sentir-se "orgulhoso".

O candidato diz ainda sentir um grande apoio de militantes e simpatizantes do PS mas também de eleitorado que tradicionalmente não vota no partido. "As pessoas sentem bem a necessidade de construir uma alternativa perante um Governo que está esgotado", declarou.

Questionado sobre os debates televisivos com António José Seguro, que começam na próxima semana, Costa disse esperar que estes "sejam esclarecedores", mas reiterou "uma regra muito importante", a de que "os adversários do PS não estão dentro do PS, estão fora" do partido.

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