Editorial

O que está a acontecer no Missouri?

Confrontos, disparos, cocktails Molotov. Um cenário de guerra numa cidade pacata.

Michael Brown, 18 anos, e o seu amigo Dorian Johnson estavam há uma semana a andar no meio da rua, na pacata cidade de Ferguson, distinguida como “Playful City USA”, por as crianças poderem brincar na rua em segurança.

Quando os dois jovens afro-americanos caminhavam no meio da rua, foram abordados um polícia, Darren Wilson, que terá pedido a ambos, não se sabe em que termos (e aqui começam as versões contraditórias), para saírem da estrada e irem para o passeio.

A partir daqui, a polícia conta uma versão (que Michael Brown tentou tirar a arma ao agente) e Dorian Johnson, a família de Brown e algumas testemunhas contam outra (que ele estava desarmado e que se rendeu ao polícia). Nas duas versões, a história termina da mesma forma: Michael Brown é baleado por pelo menos seis disparos, dois dos quais na cabeça.

O atraso em libertar informação sobre o caso, o facto de já estar prevista uma terceira autópsia ao corpo de Brown, ou o facto de o governador já ter chamado reservistas da Guarda Nacional sem o conhecimento da Casa Branca mostram que as autoridades estão a ter alguns problemas em enfrentar uma situação explosiva e que está longe de estar controlada. Até Ban Ki-moon já se pronunciou sobre o caso.

Por detrás dos confrontos está uma cidade segregada racialmente e onde, apesar de 70% dos habitantes serem negros, quase todos os cargos de responsabilidade municipais estão nas mãos de uma minoria branca. Mesmo entre os 58 que integram a força policial local, apenas três são negros. E à medida que os dias passam, os manifestantes já não se limitam a queixar-se da morte de Michael Brown. O que está a acontecer no Missouri é o explodir de uma parte da América onde o racismo e a segregação continuam a ser tolerados.