O Vilar de Mouros regressa esta quinta-feira para um reencontro com a sua história

Seis anos depois, o Vilar de Mouros está de volta. UB40, Guano Apes, Tricky, Stranglers ou Xutos & Pontapés regressam à localidade minhota que, em 1971, acolheu o primeiro grande festival rock português.

Foto
Vilar de Mouros tem campo, rio e... música Paulo Pimenta

Seis anos depois da última edição, 43 depois da primeira, o histórico festival Vilar de Mouros está de regresso. No primeiro dia, quarta-feira, vários DJs protagonizaram a recepção ao campista: ouviu-se novamente música e juntou-se público nas margens do rio, o Coura, que banha a localidade do Alto Minho. Esta quinta-feira dá-se o arranque a sério. Até sábado, passarão pelo festival os UB40, Pedro Abrunhosa, The Stranglers, Tricky, Guano Apes, Xutos & Pontapés ou José Cid, um veteraníssimo de Vilar de Mouros (esteve lá na primeira edição, em 1971, integrando o Quarteto 1111).

Não é só José Cid que regressa. O Vilar de Mouros 2014 será um festival de reencontros, mais concentrado no percurso que foi construindo ao longo dos anos do que na actualidade do cenário musical. Fazendo uso do seu maior capital, o peso histórico e simbólico que detém no imaginário português, o festival promove sete regressos entre as 21 bandas programadas.

A edição deste ano distingue-se, além disso, pelo seu carácter de beneficência. É organizado pela Fundação AMA – Associação de Amigos do Autismo, em colaboração com a Câmara Municipal de Caminha e com a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, e as receitas reverterão na totalidade para a construção de um edifício de apoio a pessoas com autismo, orçamentado em 3,5 milhões de euros, em Viana do Castelo.

Os Stranglers, nome de relevo da geração punk britânica, autores de Golden brown, ressurgem em cartaz depois de terem participado na segunda edição do festival, em 1982, aquela em que Vilar de Mouros recebeu Sun Ra, Echo & The Bunnymen, ou uma então pequena banda irlandesa em ascensão chamada U2. Para além dos Stranglers, que actuam sexta-feira, no palco principal, às 22h30, as outras bandas com nome já inscrito na história do festival são Tricky (sábado, 23h45), UB40 (sexta-feira, 00h30), Xutos & Pontapés (sábado, 22h), Blasted Mechanism (sexta-feira, 21h), Guano Apes (sábado, 01h30) e os Blind Zero (sexta, 21h30), que aproveitarão o concerto para continuar a celebração dos seus vinte anos de carreira.

Até sábado, passarão ainda por Vilar de Mouros os veteranos do rock espanhol La Unión (quinta-feira, 23h), os Trabalhadores do Comércio (quinta, 20h30) e os Capitão Fausto (quinta, 19h30). Além dos nomes já referidos, ouviremos sexta-feira Pedro Abrunhosa (00h15) e sábado os Deolinda (20h30) e Legendary Tigerman (19h30).

Além do palco principal, a organização programou o Palco Histórico Vilar de Mouros Sunset, por onde passarão, durante a tarde (as portas abrem às 16h30), o reggae dos Youthculture, os Budda Power Blues ou o rock’n’roll dos The Lazy Faithful.

Com parque de campismo disponível tanto para os detentores de passes de três dias (60€) como para os compradores de bilhetes para um dia (30€), o Vilar de Mouros, como se tornou norma na maioria dos festivais, oferece atractivos laterais à música. O público poderá utilizar o slide, fazer rapel e canoagem, ou subir os dez metros da parede de escalada instalada no recinto.