Suspeito de ligações jihadistas detido no aeroporto de Lisboa

Homem referenciado pelas autoridades holandesas foi identificado no Aeroporto de Lisboa e ficou em prisão preventiva.

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O suspeito foi interceptado numa zona interdita da pista do Aeroporto de Lisboa Enric Vives-Rubio

Um homem, suspeito de ligações ao movimento de jihadistas europeus, que terá sido treinado na Síria, foi detido no Aeroporto de Lisboa na quinta-feira e está em prisão preventiva, noticiou ontem o Diário de Notícias e o Correio da Manhã.

O suspeito, ouvido durante todo o dia de sexta-feira nas instalações da sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, foi depois interrogado no tribunal de Instrução Criminal e ficou em prisão preventiva por ordem do juiz Carlos Alexandre.

O homem é suspeito de envolvimento no movimento jihadista internacional e está, segundo aqueles jornais, na lista de alvos monitorizados pelas autoridades de outros países europeus. É um dos jihadistas holandeses que terá sido treinado por radicais islamitas; aos inspectores da Unidade Nacional Contra-terrorismo da Polícia Judiciária, aliás, o suspeito admitiu que esteve num campo de treino na Síria.

O homem foi detectado na quinta-feira à noite, numa zona interdita da pista do Aeroporto de Lisboa junto a um avião da companhia angolana TAAG, na posse de uma faca com mais de 20 centímetros.

Da pesquisa nas bases de dados de troca de informações internacionais, a PJ confirmou que o seu nome faz parte da lista de jihadistas holandeses e é referenciado pelas autoridades da Holanda.

Para esta investigação foi mobilizada a Unidade Nacional Contra-terrorismo da PJ por se tratar de uma situação enquadrada na lei de combate ao terrorismo, que também integra a “segurança dos transportes”.

A passagem por Portugal de suspeitos com ligações a organizações de extremistas islâmicos, como aconteceu com um cidadão holandês detido quinta-feira no aeroporto de Lisboa, tem sido referenciada nos últimos anos pelas autoridades portuguesas e referidas em relatórios.

No Relatório de Segurança Interna (RASI) do ano passado referia-se a necessidade de dar atenção ao movimento de cidadãos “para palcos de jihad, em particular com destino a regiões onde a Al Qaeda e afiliadas procuraram reforçar a sua posição”, sublinhando-se “o elevado contingente de combatentes que deslocam para a Síria, oriundos de vários países da União Europeia”.

Já em 2007 o Relatório de Segurança Interna mencionava, em Portugal, “casos pontuais de deslocação de extremistas” islâmicos no país. Portugal foi considerado “uma plataforma para a obtenção de apoio logístico” a estes grupos islâmicos, “tendo ocorrido, à semelhança do ano passado, casos pontuais de deslocação de extremistas”, lê-se ainda no mesmo relatório, citado pela Lusa.

Passaram por Portugal nos últimos anos alguns radicais islâmicos. Dois exemplos são os de Sofiane Laib, um argelino condenado em 2004 por falsificação de documentos e expulso em 2006, e o de outro argelino, Samir Boussaha, suspeito de ligações à Al-Qaida, detido em Portugal e expulso para Itália em 2007.