À lupa: Jogo coeso do Brasil contrastou com defesa desarticulada da Colômbia

Equipa académica analisou a forma como os jogadores interagiram.

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Interacção dos jogadores no jogo Brasil-Colômbia. Quanto maior a seta, maior o número de passes entre os jogadores em causa
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Interacções na primeira parte
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Interacções na segunda parte

Na figura “rede de acções” do Brasil-Colômbia, vemos as acções realizadas com a bola pelos jogadores, tais como passes, lançamentos, cortes de cabeça, cantos, cruzamentos. O tamanho dos nós (jogadores) é definido pelo número de jogadores com que interage cada jogador. A largura das ligações aumenta em função do número de acções realizados entre dois jogadores. Os nós mais amarelos significam menor precisão nas acções, mais vermelho indica maior precisão.

A rede de acções do Brasil revela uma elevada utilização dos corredores, através dos seus defesas laterais: Marcelo e Maicon. Estes jogadores dinamizaram o ataque e potenciaram a ligação com os médios e os avançados. Fernandinho estabelece a ligação entre corredores, da esquerda para a direita - Marcelo-Fernandinho-Maicon, e a ligação entre os defesas centrais: T. Silva-Fernandinho-David Luiz. Óscar circulou a bola do corredor direito para o esquerdo, inclusivamente para David Luiz e Marcelo. Através das ligações Marcelo-Hulk e Maicon-Óscar, o Brasil expressou frequentes transições directas defesa-ataque. No centro são visíveis as ligações dos médios centro (Paulinho e Fernandinho) aos avançados, assim como alimentação destes através dos médios alas (Hulk e Óscar). Os médios revelam um elevado nível de precisão. Hulk foi o jogador que mais rematou à baliza e Neymar o jogador que mais rematou.

Na rede de acções da Colômbia, destaca-se James Rodríguez, para quem converge um grande número das ligações desta equipa. Quando passou para o centro, na 2ª parte, tornou-se o elo de ligação, tanto no sentido longitudinal (dos médios para os avançados) como no sentido lateral (da esquerda para a direita e vice-versa). Guarín e Armero foram os jogadores que apoiaram as suas axções.

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A Colômbia apresenta na defesa uma rede com poucas ligações, com poucas interacções dos defesas centrais Zapata e Yepes aos médios. Estes defesas também não apresentam ligação entre si e Sánchez não apresenta ligações fortes com os laterais e avançados, mostrando que a Colômbia quase não circulou a bola entre os corredores e no sentido da baliza. A entrada de Bacca, jogador que conseguiu criar algumas situações de perigo (entre elas o penálti que originou o golo da Colômbia aos 80’), coincide com a maior intensidade de passes da Colômbia (ver o gráfico das interações ao longo do jogo).

Em termos da intensidade dos passes, é visível o ascendente do Brasil, na primeira parte e início da segunda. Mas a partir do 50’, a Colômbia expressou sempre um maior número de interacções por minuto. Esta mudança está associada à passagem de James Rodríguez para o centro. No único momento em que o Brasil voltou a ter maior número de interacções, aos 69’, foi precisamente quando ocorreu o segundo golo do Brasil (D. Luiz).

A dinâmica de cada equipa ao longo do jogo pode ser captada em forma de rede. A rede é constituída por nós (jogadores posicionados aproximadamente como em campo) e ligações (setas) entre os nós. A análise da dinâmica da equipa implica que se incluam os jogadores substituídos (tempo de jogo à frente do nome), por isso mais de 11 jogadores podem fazer parte da rede. Do mesmo modo, jogadores que não tenham feito um mínimo de 3 passes podem não aparecer na rede e deste modo temos as ligações mais estáveis na dinâmica da equipa.

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Projecto do Laboratório de Perícia no Desporto da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa em parceria com o Programa Doutoral em Ciências da Complexidade (ISCTE-IUL e FCUL).

Coordenador:
Duarte Araújo (FMH-UL)

Equipa:
Rui Lopes (ISCTE-IUL e IT-IUL)
João Paulo Ramos (ISCTE-IUL e FEFD-ULHT)
José Pedro Silva (FMH-UL)
Carlos Manuel Silva (FMH-UL)