A história de Glastonbury é agora uma parte da colecção do V&A

Toda a memorabilia de 45 anos de festival vai ter uma vida pública.

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São 45 anos de história contados através de posters antigos, fotografias das várias edições e até filmes até agora desconhecidos do grande público. O Victoria and Albert Museum (V&A), em Londres, vai criar um arquivo daquele que é o maior festival de música e arte do Reino Unido e um dos maiores do mundo, o Glastonbury, permitindo a toda a documentação acumulada até à data sair do armário em que esteve guardada ao longo dos anos, enchendo caixas, caixas e mais caixas.

A cada edição de Glastonbury, mais material se acumula, sem que se saiba já ao certo o que existe. É por isso que Michael Eavis, que em 1970 organizou a primeira edição do festival na sua quinta em Somerset, no Reino Unido, decidiu fazer qualquer coisa. Com a ajuda da filha, Emily Eavis, que agora está à frente do festival, reuniu toda esta memorabilia e entregou-a ao V&A. Há mapas do recinto do festival, que foi crescendo ao longo dos anos, setlists dos milhares de artistas que ali actuaram, cartas, posters, passes da produção, roupa. “Não fiquem surpreendidos se ouvirem que nunca nada disto foi catalogado”, observou ao The Guardian Kate Bailey, a curadora do Victoria and Albert Museum que ficou encarregada de pôr em ordem esta colecção.

Para Martin Roth, director do V&A, receber este espólio “extraordinário e sem precedentes” é uma honra para o museu londrino. “O arquivo é interessante não só pela sua diversidade, como também pelo seu testemunho fascinante da mudança criativa, social e política no Reino Unido”, defendeu, garantindo que esta não será uma colecção estática e que já nesta edição do festival, que se realiza entre 27 e 29 deste mês, vai ser recolhido mais material. Kate Bailey estará no festival e além de recolher objectos vai querer ouvir histórias de todos — dos artistas aos seguranças, passando pelos vendedores e pelas pessoas que ali vivem mesmo quando não há festival.

Da parte da família Eavis, a colaboração será total. Afinal, para Michael Eavis não há melhor espaço para abrigar este arquivo do que o V&A, “um lugar inspirador”.