O Inverno continua a aproximar-se com o final da 4.ª temporada de Guerra dos Tronos

The Children passa esta terça-feira na televisão portuguesa. Sem spoilers, a série já terminou nos EUA com novos recordes – foi o episódio final mais visto de sempre de Guerra dos Tronos.

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George R.R. Martin, o autor da saga, em Lisboa em Abril de 2012 rui gaudêncio
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Emilia Clarke como Daenerys Targaryen, mãe de dragões dr
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Kit Harrington é o bastardo Jon Snow dr
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Tyrion Lannister é interpretado por Peter Dinklage dr
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Uma sessão fotográfica mais descontraída do elenco (Lena Headey como Cersei Lannister e Nikolaj Coster-Waldau como Jamie Lannister) dr

Uma das mais populares séries do mundo, quer na sua vida oficial nos televisores quer na sua existência pirata nos downloads e streaming na Internet, chega ou chegou esta semana ao fim. Presente e passado porque a quarta temporada de Guerra dos Tronos terminou já nos EUA, no domingo, e porque o seu último episódio é transmitido em Portugal esta terça-feira no canal SyFy. Se os anti-heróis de Westeros já bateram os anti-heróis de Nova Jérsia de Os Sopranos em popularidade no canal HBO, este fim de temporada foi o mais visto de sempre da série – que é um dos raros títulos que vê as suas audiências subir consecutivamente ao longo de três épocas.

Domingo à noite, com a concorrência de outro sorvedouro de audiências chamado Finals da NBA (que teriam nesse dia o seu último jogo), 7,1 milhões de espectadores viram o desfecho de mais uma sangrenta temporada de Guerra dos Tronos em directo. Depois, como detalha a Hollywood Reporter, o episódio foi repetido duas vezes e a audiência de The Children chegou aos 9,3 milhões.

Os números por pouco não ultrapassam os de um outro episódio desta temporada (7,195 milhões) da série criada por David Benioff e D. B. Weiss a partir da famosa saga literária As Crónicas de Gelo e Fogo (ed. Saída de Emergência) de George R.R. Martin. Ainda assim, esta foi a mais vista temporada de Guerra dos Tronos, que já tinha começado com o pé direito: o primeiro episódio destas dez horas de reviravoltas e choque de travo medieval foi visto por 6,6 milhões de pessoas (e nas 12 horas após a transmissão no canal de cabo pago HBO foi descarregado ilicitamente mais de um milhão de vezes, todo um recorde para a série).

Desde Abril que se especulava que, dado o crescimento das audiências da série, este último episódio poderia mesmo bater os números do final de Os Sopranos (11,9 milhões). Longe disso – e numa altura em que tudo está por decidir na Muralha, no percurso das irmãs Stark e da mãe de dragões Daenerys Targaryen, já para não falar no destino de Tyrion Lannister -, Guerra dos Tronos já é a série mais vista de sempre da HBO. Em termos de audiência conjunta (todas as exibições na TV mais visionamentos noutras plataformas como o DVR ou o streaming pago) cada episódio tem uma média de 18,6 milhões de espectadores, como a própria HBO avançou no início do mês, batendo a sua campeã de prestígio e audiências, uma vez mais Os Sopranos na sua temporada de 2002 (quando a possibilidade de ver mais tarde um programa de televisão ainda não era tão simples quanto com a generalização do DVR), que tinha uma audiência média de 18,2 milhões de pessoas por episódio mafioso.

A história de Guerra dos Tronos, as crónicas de um período nos sete reinos da ficcional Westeros em que um longo (e potencialmente sobrenatural) Inverno se aproxima enquanto as várias casas lutam pelo poder em grande ou pequena escala, ecoou de forma crescente com o grande público. Se os livros – cuja escrita está ainda em curso – eram já objecto de culto entre os fãs do fantástico (e não só), a qualidade e investimento financeiro da série televisiva da HBO tornou-a um dos maiores sucessos do audiovisual dos últimos anos. E um produto que, à semelhança dos zombies de The Walking Dead, representa não só a penetração das temáticas do fantástico no mainstream como também o novo poder dos canais de cabo premium na produção de séries que competem equiparadamente, em audiências e reconhecimento crítico, com os títulos dos canais generalistas.

Guerra dos Tronos, cujo último episódio da quarta temporada é transmitido esta terça-feira no canal SyFy às 22h20, gerou não só nos últimos anos um número crescente de podcasts, wikis, conversas de café, talk shows, programas de cocktails, livros de culinária e produtos e merchandising variados - um fenómeno que está implantado na cultura popular mundo fora. Se desde 1996 os leitores já tinham acesso ao primeiro livro d’As Crónicas de Gelo e Fogo (e tudo indica que serão sete, senão mesmo oito), a série televisiva permite também aferir a sua popularidade crescente: o episódio final da temporada três teve 5,39 milhões de espectadores; o da temporada dois 4,2 milhões e o da primeira temporada 3,04 milhões. 

Se a primeira tranche de dez episódios (o número de capítulos de cada temporada) teve uma média de espectadores na casa dos 2,5 milhões, a segunda escalou para os 3,8, a terceira roçou os cinco milhões com 4,9 milhões de espectadores e em 2014 atingiu o pico de 6,8 milhões de pessoas a ver a série em directo na TV. E o acto de ver a série em directo é todo outro fenómeno Guerra dos Tronos: é procurar na Internet os muitos vídeos ou GIF das reacções, seja em grupo em bares, seja a solo em casa, e em qualquer país, dos espectadores aos sempre dilacerantes episódios em que a morte ou qualquer outro acto fracturante batem à porta das personagens mais queridas ou odiadas da forma mais visceral possível. Nesta última temporada, um casamento (que não era vermelho, mas púrpura), um funeral e uma luta deram azo a muitos desses exemplares de revolta e incredulidade audiovisual.

Para já, com cinco livros já escritos e o constante temor de que Martin não consiga terminar a saga, além das dúvidas sobre a articulação entre a série e os livros à medida que se aproximem os acontecimentos já escritos na página e os filmados para a televisão, sabe-se que a HBO já se comprometeu para mais duas temporadas desta história de poder, violência, sexo e heroísmo sempre envolta na sensação de apocalipse iminente. A quinta temporada deverá estrear-se na Primavera de 2015.