Atentado na província chinesa de Xinjiang mata 31 pessoas

Os uigures, de origem muçulmana turca, denunciam a perseguição de Pequim.

A segurança foi reforçada em Xinjiang
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A segurança foi reforçada em Xinjiang AFP

O Governo de Pequim responsabilizou os separatistas uigures por uma série de explosões na cidade de Urumqi, a capital da volátil província chinesa de Xinjiang, que mataram pelo menos 31 pessoas que frequentavam um mercado local pouco antes das oito da manhã desta quinta-feira.

Segundo a agência Nova China, dois veículos todo-o-terreno forçaram a entrada num mercado ao ar livre lançando explosivos sobre a multidão. Uma testemunha ouvida por esta agência disse que houve "dezenas de deflagrações" até que um dos veículos explodiu.

O ataque constituiu “um sério e violento incidente terrorista”, descreveu o ministério de Segurança Pública. O Presidente da China, Xi Jinping, prometeu “castigar severamente os terroristas”.

Segundo os dados oficiais, 31 pessoas morreram e 93 ficaram feridas. Na rede social chinesa Weibo — que a AFP cita — foram publicadas imagens de corpos e carros incendiados e uma pessoa que disse ter assistido ao ataque deixou um testemunho: “Muitas explosões neste mercado situado em frente ao Palácio da cultura uigure. Vi chamas e fumo negro, carros incendiados. Os vendedores puseram-se em fuga, correndo para todos os lados e abandonando as suas mercadorias”.

Os uigures são muçulmanos de origem turca que constituem a maioria étnica nesta vasta região semi-deserta mas muito rica em minerais. Nas últimas décadas Xinjiang assistiu à chegada de muitos milhares de Han (o maior grupo étnico da China) e os uigures denunciam que estão a ser perseguidos pelas autoridades centrais  — dizem que estão a "ficar para trás" no campo económico e acusam Pequim de ter implementado uma política repressiva que visa acabar com a sua cultura e religião.

No último ano, o movimento separatista uigure radicalizou a luta e realizou uma série de atentados  — o mais surpreendente, ainda que não o mais mortífero, teve lugar em Outubro passado na Praça Tiannanmen de Pequim, quando um automóvel se lançou contra uma ponte pedonal e explodiu, matando dois turistas. Em Março, um ataque na estação ferroviária de Kunming no qual perderam a vida 29 pessoas também foi associado aos separatistas islâmicos de Xinjiang: em ambos os casos, os atacantes foram identificados como uigures.

A vaga de violência levou o Presidente chinês, Xi Jinping, a visitar aquela província em Abril. No seu último dia na região, homens armados com facas e explosivos entraram na estação de comboios de Urumqi e mataram uma pessoa e feriram 79, antes de se suicidarem.

A escalada de violência levou o Governo de Pequim a reforçar consideravelmente o aparato de segurança na província (e ontem também na capital do país). O ataque no mercado ocorreu poucos dias depois de ter sido divulgada a detenção de 39 pessoas acusadas de “incitamento à violência” através da distribuição de “vídeos terroristas” em Xinjiang.

Em declarações à BBC, um porta-voz do Congresso Mundial Uigur classificou os incidentes de Xinjiang como “uma consequência directa das políticas de Pequim para a região”, e apelou ao fim da repressão pelas autoridades chinesas.

Segundo escrevia a CNN, as autoridades chineses têm apontado para o grupo separatista Movimento Islâmico do Leste do Turquemenistão como o responsável pelos actos violentos na região – Turquemenistão Leste é o nome que os uigures dão à província de Xinjiang. Mas os analistas internacionais têm dúvidas sobre as capacidades operacionais desse grupo rebelde, e até da sua alegada ligação a redes terroristas internacionais, como por exemplo a Al-Qaeda.