Madeira aguarda corveta Pereira D'Eça para criar recife artificial

Governo regional quer afundar a embarcação na costa sul da ilha, para atrair mergulhadores.

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Governo regional quer atrair mais turistas e para isso aposta nas actividades de natureza Rui Gaudêncio/Arquivo

O Governo Regional da Madeira pediu duas embarcações à Marinha portuguesa para posterior afundamento na região com o objectivo de fomentar a prática do mergulho, tendo sido seleccionada já a corveta Pereira D'Eça, disse nesta terça-feira o secretário Regional do Ambiente e Recursos Ambientais, Manuel António Correia.

"Este pedido mereceu a devida aprovação, tendo logo sido encetados contactos com o coordenador do respectivo programa nacional e sido escolhida a corveta Pereira D'Eça, pertencente à Marinha portuguesa, e que estava prevista para abate", explicou à Lusa o secretário Regional.

Segundo Manuel António Correia, o objectivo é fomentar a actividade do mergulho. O Governo Regional quer tornar a Madeira numa região de referência internacional em termos de actividades e desportos de natureza, sobretudo no mar e na serra.

O governante recordou que, em Junho de 2013, a região formalizou um pedido "junto do ministério da Defesa Nacional para cedência de embarcações da Marinha em processo de abate com o intuito de proceder ao seu afundamento nos mares da região, criando recifes artificiais que são locais privilegiados para a proliferação e observação da vida marinha e, em consequência, com forte impacto no mergulho".

Manuel António disse também que, desde esse contacto, decorrem trabalhos e "iniciativas burocráticas de preparação para o afundamento, como a retirada de materiais do interior da corveta, como tintas e outros produtos que possam ser nocivos ao meio marinho". O Governo aguarda a entrega formal da embarcação à região para "iniciar, de imediato, os procedimentos de preparação da corveta", acrescentou.

Estes trabalhos serão feitos no continente, onde são "mais baratos e mais fáceis de executar", explicou, adiantando que logo a seguir a embarcação será transportada para a região para o afundamento embora não tenha adiantado prazos, já que estas actividades "são morosas". O afundamento da corveta será feito na costa sul da Madeira, sendo que, de momento, existem três locais possíveis que estão a ser estudados em conjunto com as empresas de mergulho e grupos desportivos e associações.

O responsável confirmou que foram pedidos dois navios - "a corveta e, provavelmente um [navio] patrulha" -, referindo que se terá de aguardar que haja um outro navio da Marinha portuguesa em processo de abate. Os valores associados a estas aquisições são vistos com "um investimento" para o Governo Regional.

"Nós acreditamos nesta actividade e [acreditamos] que os valores, que ainda não posso precisar quais são, terão largo retorno em função do benefício que acarretarão para a região", afirmou o secretário regional.

Já em 2010, o ministério da Defesa autorizou a cedência de quatro navios de guerra da Armada Portuguesa (que estavam estacionados na Base Naval do Alfeite, à associação Musubmar) constituída pela Câmara de Portimão e pela empresa privada Subnauta, para afundamento ao largo da Praia da Rocha, no Algarve. Os primeiros dois navios foram afundados em Outubro de 2012 e o último dos quatro foi ao fundo em Junho de 2015, completando assim o primeiro museu subaquático do país.