Crítica

Vida Activa

Susana Nobre passou vários anos a trabalhar no programa de “reabilitação” profissional Novas Oportunidades na zona de Vila Franca de Xira; durante todo esse tempo, foi filmando as histórias pessoais daqueles com quem lidava, montando-as neste documentário seco e enxuto que chega, merecidamente, à estreia comercial. As múltiplas histórias que a realizadora vai agrupando desenham, com atenção e sem demagogia, um retrato resignado e triste, um olhar sobre vidas suspensas que reflecte ao mesmo tempo a realidade do desemprego e a atitude economicista dos empregadores, que desvaloriza a experiência pessoal e o próprio orgulho pessoal, que não hesita em descartar aqueles que ainda têm muito a dar em nome de um qualquer resultado (político ou financeiro) que nada diz a ninguém - e que, nos seus momentos finais, revela como mesmo a “reabilitação” pode estar condenada. Vida Activa não se vê com prazer, mas deve ser visto.

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