Primeiro voo de Paris para Beja levava turistas para Tróia

Depois dos voos charter a partir de Londres, seguem-se os franceses vindos de Paris com o inevitável destino: o complexo turístico de Tróia no litoral alentejano.

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Com cerca de 20 minutos de avanço em relação à hora prevista, chegou nesta segunda-feira às 9h55 ao aeroporto de Beja o primeiro dos voos charter semanais que vão decorrer até Outubro, entre Paris e Beja. O avião da companhia aérea francesa Europe Airpost, fretado pelo operador GPS Tour, na sequência de um contrato com o grupo francês PRO BTP, que gere um fundo de protecção social dos trabalhadores da construção civil, transportou 92 turistas franceses que tinha como destino Tróia e quatro que rumavam ao Algarve.

A nova campanha de voos fretados para o aeroporto de Beja, que se segue à que foi realizada em 2012 pelo operador inglês Sunvil, com voos semanais entre Londres e Beja, voltou a ter o apoio da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, Turismo de Portugal e da ANA-Aeroportos de Portugal.

Em apenas meia hora, a logística instalada na unidade aeroportuária, “libertou” os 96 passageiros franceses de todos os aspectos burocráticos, que rapidamente iniciaram viagem em autocarro para Tróia. Uma rapidez "que não acontece noutros aeroportos”, onde a morosidade nos procedimentos é muito mais acentuada destacou Vítor Silva, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo.

No entanto, o tempo na deslocação viária é maior de Beja para Tróia que do aeroporto da Portela. Aliás foi em Lisboa que aterrou, há duas semanas, o primeiro voo charter fretado pela GPS Tour com destino ao Alentejo devido a dificuldades entretanto com transportadora Windavia, que obrigou à sua substituição pela companhia francesa Europe Airpost.

Em 2013, a GPS Tour já tinha transportado passageiros destinados ao Alentejo que, no seu conjunto permaneceram 20 mil noites em vários pontos da região mas com maior incidência no litoral alentejano. “As pessoas vêm para o Alentejo pelo aeroporto da Portela” mas “gostaríamos de ter um aeroporto que fosse mais dedicado à região”, preconiza Vítor Silva.

O presidente da Agência Regional reconhece não ser possível ter voos com “apenas 15 pessoas destinadas ao Alentejo”. O ideal seria “fretar aviões mais pequenos” do que aquele que hoje aterrou na pista da base militar de Beja, que transportou 96 passageiros.

Pedro Beja Neves, director do aeroporto de Beja, instado pelos jornalistas, realçou a “importância” da unidade aeroportuária inaugurada em Abril de 2011, insistindo que se trata de uma “porta de entrada para o Alentejo”. Sobre o futuro adianta apenas “há muita coisa em perspectiva e há muita coisa que está a ser trabalhada”.

O movimento no aeroporto de Beja durou apenas meia hora. Depois voltaram a encerrar-se as portas e o silêncio tomou conta de um equipamento que custou 33 milhões de euros e para o qual a ANA-Aeroportos de Portugal não vislumbra movimentos dignos de nota.

Após a sua abertura ao tráfego de passageiros, passaram pelo aeroporto de Beja cerca de 5000 pessoas transportadas por sete companhias aéreas, que realizaram 160 aterragens e descolagens. Ao todo foram realizadas 110 de operações charter de passageiros, 48 de voos privados/executivos, na sua maioria para frequentar as reservas de caça da região, e dois de carga aérea.

Colocada perante um resultado tão sofrível, a ANA admite que a partir de 2017/2018 é que os volumes de tráfego de passageiros, tenham algum significado, mas escusando-se a antecipar quaisquer números.