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O balanço musical do trimestre

Numa época em que as palavras "balanço" e "trimestre" auguram contas e resultados muito pouco felizes, é bom lembrar que nos primeiros três meses deste ano já saíram, pelo menos, dez álbuns que nos tornam os dias muito melhores

1. "Post Tropical" de James Vincent McMorrow

Quatro anos depois de ter lançado o seu primeiro disco, o irlandês McMorrow apresenta-nos um trabalho que inevitavelmente nos leva a pensar no seu homónimo Blake. Aproximando-se mais dos sons electrónicos que em "Early In The Morning", James Vincent McMorrow cativa um novo público e garante o que já antes tinha atingido.

2. "Sweet Disarray" de Dan Croll

O jovem britânico de 23 anos que seduziu o público com singles como "From Nowhere" ou "Home" lançou o seu primeiro álbum de estúdio onde inclui estes dois temas e outras dez faixas que têm mais de "sweet" que de "disarray". Um indie com electro sem desligar do pop.



3. "Morning Phase" de Beck

O cantor e compositor norte-americano Beck Hansen é ligeiramente mais experiente que Croll. Lançou este ano o seu 20.º álbum de estúdio, trabalho que a Pitchfork classificou de confortável (não no melhor sentido do termo) mas que soa especialmente bem (e melancólico) nesta Primavera ainda de chuva.

4. "Love Letters" dos Metronomy

Oiçam a música com o mesmo nome do disco e não se vão lembrar que esta banda é a mesma que em 2011 vos pôs a cantar "It feels so good in the bay". Num estilo diferente mas igualmente contagiante, o quarteto britânico dá-nos rock, electrónica e pop em pouco mais de 40 minutos.

5. "Sun Structures" dos Temples

A banda britânica que há dois anos nos surpreendeu com um rock cosmico-psicadélico que nos transporta a outra geração, lançou o seu primeiro álbum de estúdio. Menos surpreendente que a aparição da banda, o disco conta com temas como "Shelter Song"; "Mesmerise" ou "Colours To Life". O que é suficiente para valer a pena.

6. “Lost In The Dream” dos The War on Drugs

É o terceiro álbum de estúdio da banda que vamos poder ouvir ao vivo em Julho, no festival Optimus Alive. Rock alternativo ao estilo música de "road trip", numa viagem que tem momentos melancólicos e calmos, como com “In Reverese”, ou mais animados, como com “Red Eyes”. Um "throwback" aos anos 90.

7. “After The Disco” dos Broken Bells

A expectativa era grande e não saiu frustrada. A banda formada por James Mercer e Brian Burton lança um álbum que, para muitos, é um "upgrade" em relação ao primeiro. Bom instrumental, letras bem trabalhadas e uma sonoridade que nos faz ouvir o disco do princípio ao fim sem nos lembrarmos de saltar faixas.

8. “Atlas” dos Real Estate

A banda indie-rock de New Jersey lançou no início deste mês o seu terceiro álbum de estúdio e é tão bom... Dez faixas para ouvir numa viagem de carro ou numa tarde de domingo sem obrigações.

9. “So Long See You Tomorrow” dos Bombay Bicycle Club

A banda londrina, que se juntou em 2005, lançou em Fevereiro um novo álbum. Um trabalho mais electro-pop e menos indie rock que chegou ao primeiro lugar do top do Reino Unido.

10. “St. Vincent” de St. Vincent

A peculiar Annie Clark, cujo estilo musical se poderá encaixar no chamado “noise pop”, apresentou no final de Fevereiro o álbum homónimo. Um registo sonoro extravagante que se distancia dos restantes álbuns sugeridos acima e cuja apreciação será tudo menos consensual.

Aguarda-se o próximo trimestre!