Carências nos centros de saúde resolviam-se com mil médicos reformados, diz Ordem

Com a entrada de 400 novos especialistas por ano, Ordem prevê que, dentro de quatro a cinco anos, já não haverá falta de médicos de família

Centro de convívio vai custar 900 mil euros
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Centro de convívio vai custar 900 mil euros Rui Soares/Arquivo

A Ordem dos Médicos (OM) acaba de propor uma solução para "resolver de imediato" o problema dos portugueses sem médico de família. O Conselho Nacional Executivo da OM sugere que o Governo contrate mil médicos de família reformados, pelo prazo máximo de três anos, com flexibilidade de horário e cerca de mil utentes cada. “Para tal basta propor uma retribuição minimamente aceitável”, defende em comunicado esta sexta-feira divulgado.

A proposta foi apresentada depois de o ministro da Saúde ter anunciado quarta-feira, na Comissão Parlamentar de Saúde, que tenciona voltar a falar com os sindicatos para negociar o aumento das lista de utentes dos médicos de família, de forma a poder cumprir o compromisso de dar um clínico assistente a cada português até ao final da legislatura. 
Argumentando que “há milhares de médicos de família reformados” e que em cada ano entram nesta especialidade mais de 400 novos clínicos – o que permitirá resolver a carência “dentro de quatro a cinco anos" -, a Ordem dos Médicos sustenta que a solução que propõe permitirá de imediato dar um médico de família a um milhão de portugueses, "reduzindo praticamente a zero" o número de portugueses sem clínico assistente nos centros de saúde. 

 
Responsabilizando o Ministério da Saúde pela falta de médicos de família, Ordem diz ainda que "o Governo tem a solução, só falta a vontade em implementá-la".


Em declarações aos jornalistas, em Vila Real, o ministro da Saúde garantiu que não é por restrições orçamentais que há falta de médicos de família. O problema é que tem havido "um conjunto de reformas concentradas no tempo sem paralelo", justificou Paulo Macedo, que recordou que vai abrir um concurso para contratar médicos que estão fora do Serviço Nacional de Saúde.

"Estamos também a fazer a passagem de médicos que estavam nas 35 horas para 40 horas - já estamos a fazer isso há mais de um ano - e portanto é uma passagem gradual e que nós queremos acelerar", acrescentou.  Excepcionalmente, sublinhou,  estão ainda a ser contratados reformados, "uma situação única na função pública".