Professores de Informática estão contra limitações no acesso às redes sociais nas escolas

Restrições limitam os professores na escolha das "metodologias e das estratégias" a trabalhar com os alunos e inviabilizam conteúdos da própria disciplina.

Foto
Aulas de Informática não são compatíveis com restrições impostas pelo MEC

"Não estamos num país de censura digital", reagiu ao PÚBLICO Fernanda Ledesma, presidente da Associação Nacional de Professores de Informática, para quem tal interdição vai "limitar o professor na escolha das metodologias e das estratégias a trabalhar com os alunos". 

O curioso, segundo Fernanda Ledesma, é que a participação em redes como o Facebook, o Instagram e o Tumblr integra os conteúdos programáticos da disciplina. "O saber ser e estar nas redes sociais e as condições de privacidade no perfil de cada um fazem parte dos conteúdos programáticos. A via correcta nestas questões nunca é proibir, mas educar para", insurge-se aquela responsável.

Sublinhando que o acesso às redes sociais nas escolas se faz sobretudo a partir dos dispositivos móveis que os alunos levam para a escola, como os smartphones, a representante dos professores de Informática diz que o MEC já foi contactado no sentido de rever as normas constantes da circular que foi enviada às escolas. 

No comunicado, alude-se à necessidade de responder à "pressão" sobre a rede informática das escolas derivada do acesso a "páginas que, de um modo geral, não se revestem de carácter pedagógico". A esta decisão não estarão também alheios os ataques informáticos de que a rede foi alvo e que hipotecaram a qualidade da ligação à Internet. 

Além da interdição de acesso entre as 8h30 e as 13h30, nas restantes horas passa a haver uma limitação de utilização máxima, alargada também às lojas Android e Apple. Do mesmo modo, as actualizações para o sistema operativo Windows só serão possíveis das 17h00 às 8h00 da manhã.