Editorial

Quando agir é o mal menor

Há problemas nas cidades que os poderes públicos não podem recusar-se a ver. Como o que persistia há anos nas ruínas de velhas fábricas bem perto do coração do Porto. As autoridades sabiam que ali viviam pessoas em condições precárias, que ali se mantinha um mercado de droga. Os imóveis são privados, mas o problema era público e foi nessa condição que a Câmara do Porto o encarou e procurou resolver. Infelizmente, porém, a demolição das fábricas e a reinstalação dos toxicodependentes não basta para reparar a ferida aberta pela droga. Como experiências anteriores demonstram, quando se erradica um foco de tráfico, os seus agentes logo descobrem outras áreas para o reproduzir. Sobra ainda assim um sinal, e é esse que vale a pena sublinhar: o de que é impossível conviver de braços cruzados com o drama humano e a chaga social que se desenrolava nas fábricas de Lordelo. Não houvesse outras razões, o inconformismo da Câmara do Porto é suficiente para justificar a sua acção. 

  

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