Vítima de abuso sexual foi escolhida para comissão que vai combater pedofilia na Igreja

Papa Francisco divulgou neste sábado o nome dos oito elementos da comissão para a protecção de crianças.

Em Dezembro, o Papa já tinha anunciado que ia criar esta comissão
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Em Dezembro, o Papa já tinha anunciado que ia criar esta comissão Alberto Pizzoli/AFP

O Papa Francisco nomeou uma vítima de abuso sexual de um padre para fazer parte de comissão que tem como objectivo ajudar a Igreja Católica a resolver o problema de pedofilia que, nas últimas duas décadas, tem assombrado a instituição. Neste sábado, o Papa nomeou os primeiros oito membros – quatro mulheres e quatro homens – de oito países diferentes.

Estes primeiros membros vão ser responsáveis por criar uma comissão para a protecção de menores com outros especialistas de todo o mundo, e vão definir o alcance da acção do grupo. “O Papa Francisco tornou claro que a Igreja tem de pôr a protecção dos menores entre as suas principais prioridades”, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. “Olhando para o futuro sem esquecer o passado, a comissão terá uma abordagem multifacetada para promover a protecção da juventude”, acrescentou.  

Esta abordagem inclui acções penais contra pedófilos, a formação sobre o abuso de crianças, o desenvolvimento de melhores práticas para avaliar os padres e a definição das funções civis e clericais dentro da própria Igreja, enumerou Lombardi. Entre os nomes escolhidos para o grupo está o de Marie Collins, vítima de abuso sexual na Irlanda na década de 1960, e que tem feito uma campanha activa para proteger as crianças, pela justiça das vítimas de pedofilia por membros da Igreja.

Outro elemento da comissão é o arcebispo de Boston, o Cardeal Sean Patrick O’Malley. Em 2011, o cardeal ficou conhecido por ter publicado online a base de dados da Igreja Católica de Boston, com os nomes dos membros acusados de terem abusado de menores.