Martifer vai estudar apoio para ajudar Fábio a chegar a Londres

Presidente do grupo que ganhou a subconcessão dos Estaleiros de Viana reuniu com o jovem admitido na Guildhall School of Music & Drama.

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Fábio Fernandes, à esquerda, com o professor de música. Renato Cruz Santos

O presidente da Martifer, a nova subconcessionária dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) reuniu esta segunda-feira com Fábio Fernandes, o estudante de guitarra clássica admitido na Guildhall School of Music & Drama, e vai tentar, junto da administração, um apoio para que o jovem possa frequentar a licenciatura numa escola onde só entram grandes talentos.

A informação foi avançada ao PÚBLICO pelo professor do jovem que também participou no encontro com Carlos Martins. Francisco Gomes conta que o presidente da empresa se manifestou sensibilizado com a história do jovem talento por ter uma filha que ingressou no ensino articulado, em Lisboa, para estudar violino.

O docente que há dez anos acompanha Fábio Fernandes adianta que o objectivo da Martifer passa por disponibilizar um apoio de cerca de sete mil euros. É “apenas um empurrão” para que consiga chegar a Londres, em Setembro, a tempo de iniciar a licenciatura de quatro anos em guitarra clássica. O pai, Américo Fernandes, ex-trabalhador dos ENVC, não tem possibilidade de suportar os custos da licenciatura - cerca de 10 mil euros por ano - nem as despesas mensais de estadia, alimentação e transportes.

Contactada pelo PÚBLICO, fonte da Martifer escusou-se a fazer comentários sobre o assunto.

“O engenheiro Carlos Martins explicou-nos que não é vulgar a Martifer apoiar casos semelhantes mas diz que o caso do Fábio é especial. Disse também que o apoio a conceder é apenas um empurrão para que o Fábio chegue a Londres. O resto o Fábio vai ter que fazer”, realça Francisco Gomes.

O professor não tem dúvidas que o jovem, chegando a Londres e ajustando a carga horária que o curso lhe vai impor e “determinado como é”, vai conseguir arranjar trabalho e gradualmente ajudar a suportar os custos.

Durante a estadia em Londres, em Dezembro passado, quando Fábio Fernandes foi prestar as provas de admissão na Guildhall School of Music & Drama, Francisco Gomes recolheu alguma informação sobre soluções para ajudar nas despesas. Ficou a saber da possibilidade de se candidatar a uma bolsa de estudo e até de poder vir trabalhar na biblioteca da escola para além de concorrer a uma família de acolhimento.

“Todas essas possibilidades estão em aberto. O que é preciso é que o Fábio chegue a Londres para tratar desses apoios. Até conseguir, vai ter que viver como todos nós. Se há coisa que o Fábio não é é preguiçoso, aliás todo o seu percurso académico é revelador da determinação deste jovem”, sustenta.

Para além das disciplinas do curso secundário de música, na academia, frequenta o 12.º ano de escolaridade, no curso de artes, no ensino regular. A isto juntam-se sete horas diárias de prática do instrumento que abraçou aos dez anos de idade. Aluno brilhante tanto no curso de artes, na Escola de Santa Maria Maior, como no curso de guitarra clássica na Academia de Música, Fábio conquistou já várias medalhas de ouro, prata e bronze nos concursos em que participou um pouco por todo o país.

Em declarações ao PÚBLICO Fábio garante que acredita ser capaz de vencer o desafio que tem pela frente. “Chegando lá posso estudar e trabalhar ao mesmo tempo, fazer recitais. Tudo o que possa ajudar nas despesas estou disposto a fazer ” desabafa, confiante. Mal chegou a Viana, após a admissão na Guildhall School of Music & Drama, e perante as dificuldades da família, meteu mãos à obra.

“Já estou a dar aulas de guitarra para juntar dinheiro”, adianta o jovem, que na próxima sexta-feira, vai dar um recital de angariação de fundos. Outros concertos poderão estar na calha até porque, segundo Francisco Gomes, a autarquia poderá vir a disponibilizar o centro cultural da cidade para um espectáculo.

“Ideias não faltam. Parados não vamos ficar”, garante o docente que quer ver Fábio junto de João Lima, outro aluno que levou a Londres em 2012 e foi o único a ser admitido naquele ano, entre centenas de estudantes de todo o mundo, na Royal Academy of Music, em Oxford, uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior do mundo.