Cientistas identificam novos gases que destroem o ozono

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Buraco na camada do ozono sobre os pólos: recuperação prevista até meados do século. Reuters

Uma equipa de investigadores científicos da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, identificou quatro novos gases que estão a contribuir para a redução da camada de ozono sobre a atmosfera. Mas a origem precisa destas substâncias é por enquanto um mistério.

Após a descoberta de um “buraco” no ozono sobre a Antárctida em 1985, os cientistas identificaram os clorofluorocarbonetos (CFC), usados em aerossóis, refrigerantes e solventes e na produção de espuma rígida de empacotamento, como os agentes responsáveis pela destruição daquela camada estratosférica que desempenha um papel fundamental para a vida na terra, ao absorver mais de 95 % da radiação ultravioleta proveniente do sol. Essa descoberta espoletou uma rápida resposta internacional com a aprovação, em 1987, do Protocolo de Montreal, um tratado assinado por 150 países que se comprometeram em eliminar a produção de gases prejudiciais ao ozono, no que é tido como a mais bem-sucedida legislação ambiental do mundo até hoje.

Até agora haviam sido identificados 13 tipos de clorofluorocarbonetos e hidroclorofluorocarbonetos (um substituto dos primeiros, usados em sistemas de refrigeração) que causam danos na camada de ozono e são regulamentados pelo Protocolo de Montreal. Mas os cientistas da Universidade de East Anglia identificaram outros quatro gases, que têm origem em actividades humanas, e segundo o Guardian, alertam para a existência de mais. “Não há dúvida de que há mais”, disse o investigador principal, Johannes Laube. Laube disse estar especialmente preocupado com o nível de concentração de dois desses novos gases na atmosfera, que, apesar de não ser ainda muito alto, está a acelerar.

Os cientistas descobriram os gases através da análise de amostras de ar captadas em diferentes localizações geográficas: bolhas de ar presas concentradas no interior de camadas de gelo polar trazidas da Gronelândia – que são um arquivo natural das substâncias que existem na atmosfera desde há 100 anos; amostras recolhidas na Tasmânia e na Europa. A análise mostrou que nenhum dos quatro gases – classificados como CFC-112, CFC-112a, CFC-113a e HCFC-133a – existia na atmosfera até à década de 1960, o que sugere que eles têm origem em actividades humanas. Os investigadores desconhecem a sua fonte de emissão. Laube acredita que um deles possa ser uma variante de CFC usada na produção de pesticidas agrícolas e que um outro seja usado em solventes de limpeza de componentes electrónicas. Mas, em declarações ao Guardian, o cientista não descartou a possibilidade de serem de origem ilegal, isto é, não estarem a cumprir o Protocolo de Montreal.   

O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, “mostra que a destruição da camada de ozono não faz parte do passado”, disse Piers Forster, um professor da Universidade de Leeds especializado em alterações climáticas que não teve qualquer envolvimento com a pesquisa.  “Este estudo lembra-nos que devemos permanecer vigilantes e monitorizar continuamente a atmosfera com vista a detectar estes gases, mesmo que em quantidades pequenas.”

O “buraco” na camada de ozono sobre a Antárctida era em 2013 o mais pequeno dos últimos dez anos, de acordo com imagens-satélite da NASA: 21 milhões de quilómetros quadrados de amplitude (o pico, 29,9 milhões, que corresponde sensivelmente a uma área do tamanho do continente africano, foi registado em 2000). Os CFC permanecem na atmosfera durante muito tempo, mesmo depois deixarem de ser emitidos. Cientistas da NASA estimam que o buraco feche em 2070.