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Maria, põe a mesa, os Diabo na Cruz estão aí!

Aviso: há exclusivos nesta crónica, que soarão ainda melhor com uma canção dos Diabo na Cruz

Vamos desde já ao que interessa: os Diabo na Cruz estão de volta. Estão de volta com um single, chamado “Vida de Estrada”. Desenganem-se os que acham que o novo álbum está aí prestes a chegar às lojas. “Parece que agora os álbuns se esgotam a si mesmos em duas ou três semanas. Nós não queremos que seja assim com o nosso disco, queremos fazer dele um novelo e ir desenrolando aos poucos.” Quem o diz é Jorge Cruz, vocalista da banda e mentor do projecto. Portanto, é o seguinte: haverá concertos dos Diabo na Cruz ao longo do Verão, mas nada de disco novo. Esse, ainda sem nome definido, chega no Outono. A tour do álbum “começa lá para o início de 2015”. “Uma coisa de cada vez”, diz.

Depois de um "Virou!" cru e pleno de portugalidade e de um "Roque Popular" denso e intelectual, o novo álbum será um meio-termo. “O 'Virou!' foi um disco muito bem planeado, embora possuísse uma estética muito esquelética. O 'Roque Popular' já foi mais imediato; ganhou-se em genuinidade mas perdeu-se no rigor”, analisa Jorge Cruz, pouco depois de me revelar que a saída de B Fachada da banda, ocorrida uma semana antes da entrada em estúdio, em 2012, complicou as gravações do Roque. Ainda assim, o optimismo é notório. Sem piscar os olhos, Jorge Cruz arrisca que “este próximo disco vai ser o nosso álbum mais conhecido”.

Jorge Cruz é um gajo lúcido e porreiro, traz na bagagem todas as referências musicais de que necessita um bom melómano. Vive para a música e vive também da música. Acima de tudo, a música. E além dela, Jorge? “Além da música, cuido da minha criança.” Mas a música, sempre a música. “Vim cá parar como o André Villas-Boas foi parar ao futebol”. A confissão é dada à mesa de um restaurante recatado do Chiado. “Não escolhi ser músico e nem sei se isto é sequer um talento. Quase chega a ser um fardo, é uma paixão irreprimível, inevitável, incontrolável.”

Jorge Cruz absorve-nos com as palavras, abraça-nos com as ideias. À mesa, a meio de um almoço, tão depressa nos fala de imagens que guardou no Sabugal como do concerto dos Depeche no ano passado, no Alive. Tão rápido se conversa de literatura como do que espera uma audiência quando vai a um concerto. Como já disse, Jorge Cruz é um gajo lúcido e parece estar sempre cheio de razão. “Gosto de pensar o meu trabalho e gosto de pensar no trabalho dos outros.” Talvez seja esse o motivo.

Depois de ter agarrado nas referências do PREC, na música popular portuguesa e nas bandas anglo-saxónicas que desde sempre nos inundaram os rádios, Jorge Cruz agarrou em tudo e baralhou, mexeu, amassou. Os Diabo na Cruz são isso mesmo. Uma receita acabada de cozinhar, sempre com um aroma apetitoso. Estamos à espera da próxima garfada.