Governo dos Açores desiste de cais de cruzeiros em Angra do Heroísmo

Projecto foi uma promessa socialista nas eleições regionais de 2008 mas, perante a conjuntura, não foi considerado no Plano Integrado de Transportes.

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Instituição onde ocorreram as mortes localiza-se em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

O Plano Integrado de Transportes do Governo Regional dos Açores não inclui a construção de um cais de cruzeiros em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, mas prevê o regresso das ligações marítimas de passageiros inter-ilhas ao porto da cidade.

"O cais de cruzeiros de Angra será substituído por um investimento ao nível da modernização e da operacionalidade do Porto das Pipas, dotando-o de uma rampa ro-ro [roll-on, rol-off] e de uma solução, que a seu tempo apresentaremos, que visa sobretudo dar a centralidade que Angra sempre teve e fomentar rotas tradicionais, como aquela que existia entre Angra e a Calheta de São Jorge", salientou nesta segunda-feira, em declarações aos jornalistas, o secretário regional do Turismo e Transportes, Vítor Fraga.

O governante falava no final de reuniões com as câmara municipal e de comércio de Angra do Heroísmo, onde apresentou o Plano Integrado de Transportes (PIT) do executivo socialista.

A construção de um cais de cruzeiros em Angra do Heroísmo, no Porto das Pipas, foi um compromisso eleitoral do PS nas eleições regionais de 2008, mas Vítor Fraga explicou que a conjuntura se alterou. "A grande prioridade do Governo dos Açores em termos de recursos financeiros está em fomentar a competitividade das empresas e em ajudar as famílias", adiantou.

Também o presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Álamo Meneses, considerou que a obra não é prioritária. "Creio que o cais de cruzeiros, no actual contexto, como aliás temos vindo a falar, não parece uma prioridade, nem parece que seja de facto uma das necessidades de Angra", frisou o autarca socialista.

Para Álamo Meneses, o projecto poderá ser pensado dentro de alguns anos, "se voltar a ser esse o interesse da economia" da ilha Terceira. "Neste momento, aquilo que interessa à Câmara de Angra e que interessa aos angrenses é revitalizar o Porto das Pipas, dar-lhe novamente utilidade e integrá-lo neste circuito inter-ilhas. Isto é bem mais importante do que um cais de cruzeiros, que foi pensado numa época em que o contexto de investimento e o contexto de economia era diferente", salientou.

Segundo o secretário regional do Turismo e Transportes, será possível retomar as ligações marítimas entre Angra e Calheta "já este Verão".

"É possível revermos o Porto de Pipas como porta de entrada na ilha Terceira, como porta de entrada na cidade de Angra e, em particular, criar a possibilidade de, com segurança, se fazer as ligações para as ilhas vizinhas", salientou o presidente da Câmara de Angra do Heroísmo, acrescentando que será igualmente possível manter a capacidade de receber "os pequenos navios de cruzeiros que passam pelo arquipélago".

Quanto ao hub (plataforma logística) da Praia da Vitória, uma reivindicação da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), o secretário regional disse que o executivo tem uma equipa a trabalhar no projecto, mas à margem do PIT. "É um projecto que por si só exige uma atenção muito especial e dedicada exclusivamente, uma vez que não estamos a falar de um hub em termos de tráfego interno, mas de um hub atlântico", frisou.

Vítor Fraga realçou que o porto da Praia da Vitória está "englobado no projecto Costa", um projecto europeu, com vista ao abastecimento de navios com gás natural liquefeito.

Para o presidente da CCAH, Sandro Paim, ficou claro que o Governo Regional vai "ao encontro" às expectativas dos empresários para o desenvolvimento do hub da Praia da Vitória. Segundo Sandro Paim, foram discutidas ainda na reunião políticas de auto-estradas marítimas, ao nível europeu, e com os Estados Unidos. Para aumentar a competitividade logística, a nível aéreo, o presidente da CCAH considerou também "essencial" a construção de um terminal de carga no aeroporto das Lajes, que disse estar apenas dependente de uma autorização do Governo da República.