Petroleiro desaparecido em Angola encontrado, contradições sobre o que aconteceu

Navio estava ao serviço da empresa Sonangol. Caso se confirmasse pirataria seria o primeiro caso do género naquela zona da costa africana.

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Patrulhamento internacional que é feito na Somália, não existe na costa ocidental de África SIMON MAINA/AFP

A Marinha de Guerra angolana informou que um petroleiro grego ao serviço da empresa Sonangol, que esteve desaparecido durante uma semana, foi localizado na Nigéria. O armador mantém que o navio foi sequestrado por piratas, que o abandonaram depois de terem roubado parte da carga. As autoridades de Luanda dizem que era “tudo falso”.

“Era tudo falso, não houve actos de pirataria em águas angolanas”, disse à Reuters o porta-voz da Marinha de Guerra, capitão de mar e guerra Augusto Alfredo Lourenço.

O porta-voz afirmou ao Jornal de Angola que um rebocador se aproximou do MT Kerala ao largo da costa de Luanda, entrou em contacto com ele e que, em seguida, ambos rumaram para a Nigéria.

A Marinha de Guerra, que nos últimos dias fez buscas para localizar o petroleiro, dado como desaparecido na semana passada, suspeita de uma simulação por parte da tripulação e do agente do navio, segundo o jornal. O navio, com bandeira liberiana, desligou o sistema de comunicações “de propósito", na noite do dia 18, sábado, disse o porta-voz à Reuters.

Já depois da informação da Marinha de Guerra angolana, a Dynacom Tankers Management, proprietária do petroleiro, manteve a informação de que “piratas sequestraram o navio na costa de Angola e roubaram uma grande quantidade de carga”, tendo depois deixado o navio. A tripulação, composta por 27 indianos e filipinos, está em segurança, disse em comunicado.

A  Dynacom Tankers anunciou esta segunda-feira que vai, nas próximas horas, esclarecer as contradições."Estamos à espera que o navio atraque para falarmos com as pessoas, mas o que aconteceu já está explicado no comunicado", disse o porta-voz da empresa à Lusa, a partir de Atenas, prometendo outras informações para mais tarde.

A Sonangol informou na sexta-feira ter alertado as autoridades para o desaparecimento e confirmou ter perdido o contacto com o MT Kerala desde dia 19.

Na sexta-feira passada, as autoridades angolanas responderam a outro alarme de pirataria que dizem não se ter confirmado. “A Marinha e a Força Aérea foram ao local e não encontraram sinais de ataque. Queremos saber se foi uma manobra táctica de diversão e estaremos alerta para a possibilidade de haver manobras por trás destes actos”, disse à Reuters Alfredo Lourenço.

A confirmar-se, o sequestro do MT Kerala seria o primeiro caso de pirataria marítima ao largo da costa angolana e representaria um alargamento, para sul, de acções de grupos de piratas, supostamente nigerianos, que têm actuado no golfo da Guiné, próximo da Nigéria.

Ao contrário do que acontece ao largo da Somália, na costa oriental de África, nesta região do continente não há missões internacionais de patrulhamento anti-pirataria.

A Nigéria é o principal produtor africano de petróleo. Angola é o segundo.