Antonio Bronic/Reuters
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Megafone

Seguir modas está “démodé”

Mas também não deixa de ser verdade que as modas funcionam de forma cíclica. Aparecem em força, desaparecem e regressam passados uns anos, renovadas ou reinventadas aqui e ali

A propósito da notícia acerca do Facebook, que — segundo o estudo de alguns investigadores — poderá perder 80% dos seus utilizadores até 2017, lembrei-me das modas. Que são precisamente isso. Uma tendência, algo que passa a fenómeno global e ao qual ninguém fica indiferente. Raras são as pessoas que actualmente não têm página de Facebook. Segundo este estudo, a tendência é esse efeito diluir-se com o passar dos anos. Tal como acontece com as modas.


Mas também não deixa de ser verdade que as modas funcionam de forma cíclica. Aparecem em força, desaparecem e regressam passados uns anos, renovadas ou reinventadas aqui e ali. Portanto, se o Facebook perde actualmente utilizadores para o Twitter e para o Instagram, então daqui a uns anos voltará a ser moda. Neste momento vai perdendo o seu efeito surpresa, a novidade. Tornou-se banal.


Ainda a propósito de modas, ocorreu-me o caso de uma máquina que caiu em desuso após o surgimento dos computadores. Trata-se da máquina de escrever. Que não são bem do meu tempo mas que exercem em mim um fascínio inexplicável. Desde os caracteres muito próprios nas folhas de papel, até ao barulhinho característico ao dactilografar um qualquer texto.


E será que ainda vamos voltar ao tempo em que se utilizavam as máquinas de escrever? Por exemplo, a agência responsável pela segurança das autoridades do Kremlin está a adquirir máquinas de escrever para evitar fugas de informação. Esta decisão dos russos está relacionada com as recentes fugas de informação do caso WikiLeaks e às denúncias do ex-técnico da CIA, Edward Snowden. Ou será que a moda está a voltar?


Esta semana comprovei que as máquinas de escrever ainda têm salvação. Tudo porque descobri que um engenheiro norte-americano decidiu reinventar a sua utilização. Como? Pegou em algumas máquinas de escrever, restaurou-as e adaptou-lhes um dispositivo electrónico que, por meio de um cabo USB, permite passar os caracteres dactilografados para um iPad. Melhor do que isso, permite ao mesmo tempo escrever numa folha e no iPad. A máquina de escrever assume assim uma dupla função e poderá voltar a ser moda.


O objectivo passa agora por encomendar uma máquina destas. E para além de um magnífico exemplar destes, vou também ter de encontrar uma máquina de escrever para voltar ao antigamente e cumprir este fascínio. Indiferente às modas.