Guardas prisionais dizem que segurança nas cadeias ficará em causa e admitem greve

Classe diz que a “revolta” por causa dos cortes e falta de pessoal cresce e pondera nova manifestação com outras forças de segurança.

O Governo já tinha anunciado o abandono do plano para construir novas prisões por causa das restrições orçamentais
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O Governo já tinha anunciado o abandono do plano para construir novas prisões por causa das restrições orçamentais Nuno Ferreira Santos

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) considera que a segurança dos estabelecimentos prisionais irá ser colocada em causa já este ano se não entrarem novos elementos através de concurso e pondera fazer greve se o Governo não pagar o subsídio de turno.

“Já este ano, a segurança nas cadeias irá ficar em causa. São necessários, pelo menos, 900 novos  guardas e o Governo não garante que o concurso vá arrancar. Diz apenas que isso depende da autorização da secretaria de Estado da Administração Pública. Vinte e cinco por cento do pessoal tem já 55 anos e o estado de motivação com tantos cortes é cada vez menor. O que ouvimos em troca foi para quem não estiver bem que se vá embora. É impensável isto”, disse ao PÚBLICO, o presidente do SNCGP, Jorge Alves na sequência da reunião esta terça-feira com a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.

Nesse âmbito, Alves acusa a tutela de “ter feito uma reunião para nada adiantar de concreto”. O sindicato exige que os guardas recebam “subsídios de turno conforme está previsto no novo estatuto profissional publicado este mês”. Porém, o Ministério da Justiça (MJ), segundo o dirigente, terá explicado que “já pagam horas extra e por isso não vão pagar subsídio de turno”. O MJ não respondeu até agora às questões colocadas pelo PÚBLICO.

Face a estas circunstâncias, o responsável sindical garante que a estrutura vai ponderar, para além da greve, a organização de uma manifestação “talvez juntamente com a Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança”.

“Não nos deixam nenhuma outra alternativa. A indignação cresce. Esta reunião era uma esperança e afinal só nos dá motivos de revolta. O Governo corta entre 150 a 300 euros mensais nos nossos salários e depois não cumpre”, acusa Alves.

Os sindicatos representativos da PSP, que também tinham esta terça-feira encontros de trabalho marcados com a tutela, estão ainda reunidos com o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.