Risco de morte dos jovens em acidentes rodoviários é 30% superior ao do resto da população

Na faixa etária dos 18 aos 24 anos, a taxa de mortalidade tem vindo a diminuir e é inferior à registada na União Europeia.

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Entre 2010 e 2012 morreram 261 pessoas com idades entre os 18 e os 24 anos nas estradas portuguesas Paulo Ricca

Em Portugal, o risco de morte dos jovens entre os 18 e os 24 anos em acidentes rodoviários é 30% superior ao do resto da população. Mesmo assim a taxa, que em 23 países da União Europeia é quase o dobro da média da restante população, tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos.

A informação é da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), que esta quinta-feira recebe na sede, em Oeiras, o lançamento da edição deste ano do programa BP Segurança ao Segundo, destinado a futuros condutores.

A iniciativa é destinada a estudantes do ensino secundário, que são convidados a criar em equipa cartazes dedicados às principais causas dos acidentes rodoviários no país: condução sob o efeito de álcool ou drogas, velocidade excessiva, uso de telemóvel durante a condução, circulação sem cinto de segurança e condução em situação de fadiga. Os semifinalistas vão poder construir um guião para um vídeo e para os primeiros classificados há prémios que passam pela divulgação do seu spot na SIC e por um passe de três dias para um festival de Verão.   

A sinistralidade rodoviária nos jovens tem vindo a diminuir, mas mesmo assim, entre 2010 e 2012, morreram 261 pessoas com idades entre os 18 e os 24 anos nas estradas portuguesas, tendo outras 1038 ficado feridas com gravidade. Nestes dois universos, 60% eram condutores, 33% passageiros e 7% peões. A maioria circulava em automóveis ligeiros e um pouco mais de um terço em veículos de duas rodas. Quarenta e dois por cento destes acidentes ocorreram em arruamentos urbanos e 32% em estradas nacionais.

Os acidentes ocorridos ao fim-de-semana são responsáveis por 40% das mortes e dos feridos graves que vitimam condutores entre os 18 e 24 anos, uma proporção que desce para os 34% nos restantes grupos etários. 

Perto de um terço dos acidentes que vitimam mortalmente ou deixam feridos com gravidade jovens condutores ocorreu entre a meia-noite e as 8h da manhã, uma percentagem que desce para 17% no resto da população.

Os despistes também são mais frequentes nos jovens condutores. Metade (50%) do total de mortos e feridos graves na faixa entre os 18 e os 24 anos resulta de despistes, quando para os cidadãos de outras idades estes acidentes são responsáveis por 45% das vítimas mortais e dos feridos graves.

“Fruto de uma evolução positiva registada na última década, o risco de morte dos jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos em acidente de viação em Portugal nos últimos três anos, foi cerca de 30% superior ao da restante população”, afirma a ANSR, numa email enviado ao PÚBLICO.

 “A inexperiência dos jovens condutores e as suas características psicológicas, aliadas aos principais factores de risco (velocidade, álcool, telemóvel, a não utilização do cinto de segurança e a fadiga) são as principais causas da sinistralidade envolvendo jovens”, sublinha a BP em comunicado. O BP Segurança ao Segundo é uma parceria com o Automóvel Clube de Portugal, a Fórum Estudante e a Associação Salvador.