Ministério da Saúde vai avaliar “casos pontuais” de problemas nas urgências

Ministério afasta cenário de ruptura nos serviços de urgência e sublinha que "ainda não há surto de gripe".

Para hoje está marcada uma vigília junto ao hospital
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Para hoje está marcada uma vigília junto ao hospital PÚBLICO

Os dados do Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, revelam que a actividade gripal em Portugal foi "moderada" na primeira semana deste ano. Porém, sindicatos e Ordem dos Médicos denunciaram nesta segunda-feira, em notícia divulgada pelo Diário de Notícias, uma situação de ruptura nos serviços de urgência dos hospitais com tempos de espera de oito a dez horas e demasiadas macas nos corredores. Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Saúde nega um cenário de ruptura, mas admite “aumentos dos tempos de espera” em alguns serviços de urgência numa situação que, segundo justifica, “ocorre sempre nesta época do ano”.

“O país tem um plano de contingência para situações de epidemia de gripe que será activado, quando e se necessário, o qual prevê aumento da capacidade de resposta dos serviços de saúde”, adianta fonte do gabinete do Ministério da Saúde, afastando, para já, o cenário de alargamento dos horários de atendimento nos centros de saúde. “Ainda não há surto de gripe. Há outros vírus respiratórios em circulação, tal como é expectável no Inverno, e estamos a avaliar a necessidade de alargar respostas alternativas. Os casos referidos [de aumentos de tempo de espera] são pontuais e não uma realidade nacional. Vão ser tratados pontualmente, se a procura persistir”, esclarece ainda a mesma fonte.

De acordo com o Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe, na primeira semana do ano (entre 30 de Dezembro de 2013 e 5 de Janeiro deste ano), a actividade gripal em Portugal foi classificada de "moderada", tendo conduzido a seis casos de admissão em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) nos hospitais que reportam informação.

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) atribuiu os atrasos no atendimento dos serviços de urgência nas últimas semanas à carência de recursos humanos ou à aproximação de um eventual pico gripal. Em declarações à Lusa, Marta Temido, presidente da APAH, defendeu que a reestruturação de serviços de urgência combinada com a aproximação de um eventual pico gripal pode levar a "situações muito complicadas e indesejáveis ". Marta Temido sublinhou ainda que o eventual pico gripal "ainda está para vir" devido à transmissão do vírus.

No início da semana passada, as urgências do Hospital Garcia de Orta, em Almada, registaram um afluxo anormal de pessoas aos seus serviços, mais de 30% acima do normal. No Hospital de São João, no Porto, os primeiros dias de 2014 significaram mais 5% de episódios de urgências de adultos, relativamente ao ano anterior. “A equipa da urgência geral de adultos foi reforçada, como sucede habitualmente no Inverno”, adiantou ao PÚBLICO o gabinete de comunicação da unidade hospitalar, acrescentando ainda que não foi registado nenhum aumento “em relação à urgência de pediatria”.

No Porto, o deputado do PCP Jorge Machado revelou que pretende confrontar o ministro da Saúde com a "estratégia criminosa" de redução dos horários de atendimento nos cuidados primários de saúde que "sobrecarregam" as urgências hospitalares. "A nível nacional são largas dezenas [de encerramentos e reduções de horários] em todos os distritos. Não estranhem que as urgências fiquem sobrecarregadas com serviços não urgentes porque as pessoas não têm alternativas. O ministro da Saúde irá ao Parlamento brevemente, a pedido do PCP, e irá ser confrontado com esta estratégia de redução dos horários de atendimento nos cuidados primários de saúde", adiantou Jorge Machado.

Em visita ao Hospital de Aveiro, Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, acusou o Governo de instalar o caos, com os cortes nos centros de saúde e hospitais, e de favorecer os negócios privados na saúde. "As urgências no Hospital de Aveiro começaram o ano da pior maneira. No início do ano tivemos situações, que se têm vindo a repetir, de ambulâncias paradas, sem poderem deixar os seus doentes porque faltam macas nos hospitais. Temos pedido explicações no Parlamento ao Ministério da Saúde sobre esta situação, mas quisemos também falar com a administração do hospital", justificou.

A coordenadora do BE salientou que "o que se vive no Hospital de Aveiro não é muito diferente do que se vive nas urgências um pouco por todo o país".

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