ERS recebe 170 reclamações por dificuldades de acesso a exames de diagnóstico

Queixas na Entidade Reguladora da Saúde por atrasos em exames de imagiologia ascendem a 170, entre 2011 e 2013.

Nos últimos três anos, a Entidade Reguladora da Saúde recebeu 170 reclamações de pessoas que se queixavam de dificuldades de acesso a exames de imagiologia, mas os atrasos na realização de colonoscopias nem sequer são as queixas mais frequentes. 2012 foi o ano com mais reclamações (75) e o ano passado aquele em que o número de queixas foi mais reduzido (37), de acordo com dados recolhidos pelo PÚBLICO.

As actuais listas de espera para colonoscopias são “apenas a ponta do icebergue” do problema,  porque “todos os dias as pessoas têm dificuldades” para marcar e fazer vários exames de diagnóstico e terapêutica, denuncia  o vice-presidente da Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde, Armando Santos . Há, exemplifica, pessoas que esperam “dois anos” para a realização de ecocardiogramas em alguns hospitais públicos de Lisboa, e as TAC (tomografias axiais computorizadas) também demoram “meses” a ser agendadas. Há igualmente grandes dificuldades para se conseguir fazer electroencefalogramas, acrescenta.

O problema, diz,  agravou-se depois de o secretário de Estado da Saúde ter publicado em 2011 um despacho a determinar que os hospitais públicos esgotassem a capacidade instalada para a realização destes exames antes de recorrerem a outras unidades. Além disso, acrescenta, os preços pagos aos convencionados têm sofrido cortes. O preço pago pelo Estado pelas colonoscopias é muito baixo e um exame deste tipo fica caro, ao implicar a presença de médicos, enfermeiros, auxiliares, equipamento que tem que ser esterilizado, explica. Mas também outros exames, como por exemplo as ecografias das partes moles, são pagas a preços tão reduzidos que muitos convencionados "deixaram pura e simplesmente de os fazer".

Sexta-feira, o secretário de Estado adjunto da Saúde avisou que esta matéria terá que ser “resolvida”.  "Muitas destas convenções, se [os prestadores] não estão interessados, obviamente não as vamos manter", disse Fernando Leal da Costa, citado pela Lusa.