Casa da Liberdade lança petição contra venda de 85 quadros de Miró pelo Estado

Petição defende a disponibilização das obras ao público num espaço museológico.

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A petição lançada na internet na sexta-feira tem como objectivo, segundo os promotores, impedir uma venda que consideram "danosa e irreversível" para o país, e por isso pretendem levar o caso à discussão pública e à Assembleia da República.

A colecção de 85 quadros do pintor catalão Joan Miró está na posse do Estado desde a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), e – revelou à Lusa, no final do ano passado, o presidente da Parvalorem – será leiloada pela Christie's em fevereiro, em Londres.

Francisco Nogueira Leite, presidente da Parvalorem, um dos três veículos estatais criados para gerir os activos do BPN, banco nacionalizado em 2008, indicou na altura que a Christie's tinha vencido o concurso aberto a leiloeiras internacionais.

Os promotores da petição pública querem travar este processo por considerarem que representa "uma segunda espoliação do património nacional que pertence a todos os portugueses, recentemente chamados a pagar a factura do BPN", sustentam, no texto da petição.

Recordam também que, em 2008, uma empresa envolvida no processo estimou o valor dos 85 quadros entre 80 milhões e 150 milhões de euros.

Inaugurada no final de 2013, a direcção artística da Casa da Liberdade Mário Cesariny é da responsabilidade do galerista Carlos Cabral Nunes, um dos fundadores do Colectivo Multimédia Perve, associação cultural sem fins lucrativos criada em 1997, em parceria com a Perve Global, empresa proprietária das duas Galerias Perve, em Lisboa.

"Atendendo à sua colossal importância, a manutenção destas obras de arte em território nacional permitiria gerar receitas em valor muito superior ao que se possa aferir com a sua venda no mercado internacional, já que constituem importantes e insubstituíveis testemunhos da história da arte mundial", argumenta o Colectivo Multimédia Perve.

Por isso, defendem a disponibilização do conjunto ao público num espaço museológico, que, sustentam, "possibilitaria atrair a Portugal, ao longo de décadas, fluxos do turismo internacional de arte e cultura, gerando múltiplos benefícios para a economia local".

Lamentam também que as 85 obras que estão na posse do Estado desde 2008, nunca tenham sido objecto de nenhuma exposição pública, "nem consta que exista registo fotográfico das mesmas disponível ao público".

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