Coordenadora diz que o programa de Português será desenhado com critérios científicos e não económicos

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O escritor José Saramago Nuno Ferreira Santos

Helena Buescu, coordenadora da comissão científica responsável pela elaboração novo programa de Português para o Ensino Secundário, comentou esta sexta-feira que, “seja qual for a proposta final” que seguirá para homologação pelo Ministro da Educação e Ciência, “nunca terá como fundamento razões políticas ou económicas, mas científicas”.

Buescu referia-se ao programa da disciplina em geral e, em particular, à proposta de substituição do Memorial do Convento por outras obras de José Saramago para os alunos do 12.º ano.

Neste momento, ainda não está concluída a versão final do programa, que se espera que venha a ser homologado em Janeiro. Isto, porque os elementos da comissão científica, dois professores universitários e dois do ensino secundário, estão ainda a analisar 120 pareceres, recebidos durante o período em que a proposta esteve em consulta pública, adiantou Helena Buesco. Nos pareceres são abordados diversos aspectos, quanto à questão das obras de Saramago, em particular, “há quem aplauda e quem critique a mudança” sugerida, referiu.

A coordenadora desvaloriza a polémica em torno da eventual eliminação do Memorial do Convento da lista da lista de leituras obrigatórias. "O Ano da Morte de Ricardo Reis é considerada pela crítica a melhor obra de José Saramago. Tem uma densidade social e política muito relevante e permite uma abordagem de várias questões marcantes do século XX que não são menos importantes do que aquelas que o Memorial do Convento levanta em relação ao século XVIII”, disse.

Outra das vantagens apontadas por Helena Buescu para a mudança, mais uma vez tendo como referência O Ano da Morte de Ricardo Reis, é a possibilidade de com base nesta obra os professores recuperarem ou estabelecerem ligações com outros conteúdos do programa e com outros autores estudados, como Cesário Verde e Fernando Pessoa.

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