Na Síria, as crianças morrem a caminho da escola ou na fila para o pão

O Oxfam Research Group analisou como e onde morreram as mais de 11 mil crianças vítimas da guerra. São apanhadas por bombas ou fogo cruzado, mas também são alvo de tortura e execuções.

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"O mundo tem de se interessar mais pelo impacto deste conflito nas crianças da Síria", diz uma dos responsáveis por esta investigação Yazan Homsy/Reuters

Foi o que fez o instituto de pesquisa britânico Oxfam Research Group que publica, neste domingo, um estudo intitulado Futuros Roubados: O balanço escondido das mortes de crianças na Síria, disponível para consulta no site do próprio instituto. Os autores mergulharam nos dados, para extrair, mais do que números – aterradores, por si –, o que está por detrás deles, ou seja, como e onde as crianças morreram, durante um conflicto em que já perderam a vida mais de 113 mil civis e combatentes.

Na maioria, as crianças e adolescentes foram vítimas de bombas ou outras armas explosivas – mais de 7500 das mais de 10.500 mortes registadas em crianças, ou sete em dez crianças. Mas muitas – cerca de um em quatro crianças – não foram apanhadas pela violência, mas alvo dela. Em 389 casos, as crianças ou adolescentes foram mortos por atiradores furtivos (snipers); 764 foram vítimas de execução sumária, e entre estas, há registo de 112 mortes por tortura. A cidade de Alepo no Norte e o distrito de Dara, no Sudoeste da Síria, foram particularmente martirizados.

Perturba a forma como foram mortas
“Aquilo que mais perturba nos resultados deste trabalho é não só o número impressionante de crianças mortas neste conflito, mas a forma como foram mortas. Bombardeadas nas suas casas, nos seus bairros, durante as habituais actividades quotidianas, como ir à escola ou estar na fila de espera para comprar pão; mortas a tiro em fogo cruzado, alvos de snipers, vítimas de execuções sumárias, gaseadas ou torturadas”, diz Hana Salama, co-autora do relatório, citada no comunicado à imprensa disponível no site da instituição.

Entre as vítimas, encontram-se muitas crianças, mas os rapazes adolescentes constituem a maioria e quem, neste grupo, está exposto aos maiores riscos. Os rapazes entre os 13 e os 17 anos são as vítimas mais frequentes de mortes selectivas, como as que envolvem os atiradores furtivos, as execuções ou a tortura. Andam nas ruas sozinhos e estão em idade de combater, nota a BBC que chama a este conflito a “guerra contra a infância”.

“O mundo tem de se interessar mais pelo impacto deste conflito nas crianças da Síria”, acrescenta o co-autor Hamit Dardagan do relatório. “Este triste e terrível cenário mostra também por que uma paz duradoura, sem mais bombas ou balas, será a única forma de garantir a segurança das crianças.”