Manifestação de polícias leva à demissão do director da PSP

Paulo Valente Gomes colocou lugar à disposição e ministro Miguel Macedo aceitou.

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A manifestação de quinta-feira Rafael Marchante/Reuters
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Paulo Valente Gomes, com Miguel Macedo Daniel Rocha

O director nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), superintendente Paulo Valente Gomes, colocou o lugar à disposição. E o ministro da Administração Interna comunicou que aceitou essa “disponibilidade”.

A demissão surge na sequência da manifestação de quinta-feira em frente à Assembleia da República, em que polícias invadiram a escadaria do Parlamento.

Em comunicado, o Ministério da Administração Interna informa que, "na sequência dos acontecimentos ocorridos ontem em frente à Assembleia da República, o director nacional da Polícia de Segurança Pública colocou o seu lugar à disposição" e que o ministro Miguel Macedo “entendeu aceitar a disponibilidade para a cessação de funções”. Acrescenta-se apenas que o ministro "vai iniciar o processo tendo em vista a designação do novo director nacional da PSP".

Além da expressão da manifestação, considerada a maior de sempre de forças de segurança, o protesto de quinta-feira ficou também marcado pelo facto de os manifestantes terem conseguido subir a escadaria.

A actuação da polícia mereceu críticas até por parte do PSD, que admite chamar Miguel Macedo ao Parlamento. "Aconteceu um episódio lamentável em que manifestantes das forças de segurança invadiram um espaço que não estava previsto", afirmou aos jornalistas no Parlamento Fernando Negrão, deputado do PSD, que é também presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O presidente da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP) também considerou que a manifestação de quinta-feira abriu um "precedente": "Não posso deixar de reconhecer que é, de facto, um precedente, quando os próprios polícias fazem aquilo que noutras circunstâncias estão ali para defender que não seja feito. Não podemos pedir aos outros aquilo que nós próprios não fazemos. Nesse sentido, é um precedente que gostaria que não se repetisse", afirmou António Saraiva à Lusa.

Confrontado pelo PÚBLICO sobre a actuação da polícia, Paulo Rodrigues, secretário-geral da Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, recusa a ideia de que os colegas que estavam a garantir a segurança tenham facilitado o acesso.

"A polícia utilizou o dispositivo adequado e foi flexível para minimizar qualquer prejuízo que pudesse haver", considera o sindicalista.

Paulo Valente Gomes tomara posse como responsável máximo da PSP em Fevereiro de 2012, após Miguel Macedo ter exonerado o seu antecessor, o superintendente Guilherme Guedes da Silva, que esteve menos de um ano em funções. Na altura, o ministro justificou a demissão com a necessidade de a PSP começar "uma nova etapa, com novos desafios".