Miguel Macedo proíbe manifestação na ponte que CGTP mantém marcada

Central sindical diz que não muda local do protesto.

Sapatas dos pilares da ponte 25 de Abril decoradas com animais marinhos
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Sapatas dos pilares da ponte 25 de Abril decoradas com animais marinhos Daniel Rocha

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, proibiu nesta segunda-feira a manifestação que a CGTP marcou para a Ponte 25 de Abril no sábado, invocando uma vez mais motivos de segurança. A central sindical continua a insistir na realização do protesto naquele local.

“Por estritas razões de segurança, não é possível fazer a travessia”, declarou o governante depois de uma reunião de mais de hora e meia com a cúpula da Intersindical em que não conseguiu chegar a um consenso com os sindicalistas. Argumentando que não pode contrariar os três pareceres negativos que tem sobre a matéria — um da PSP, outro do Conselho de Segurança da Ponte 25 de Abril e um último da Lusoponte, concessionária da travessia —, Miguel Macedo apelou ao “bom senso e ponderação” dos manifestantes.

O ministro recusou-se a dizer se pretende usar a força caso a central sindical avance mesmo contra a vontade do Governo. O líder da CGTP, Arménio Carlos, contornou, por seu turno, as perguntas dos jornalistas relacionadas com a logística da organização de uma manifestação que não poderá afinal contar com enquadramento policial e com um corte de trânsito efectuado pelas autoridades. Já antes, a CGTP se tinha mostrado disponível para deixar livres as duas faixas laterais da ponte para permitir a circulação de viaturas de emergência. 
Sublinhando que não será tolerada violência por parte dos participantes no protesto, Arménio Carlos anunciou que os sindicalistas ainda se irão reunir com a PSP esta semana. Ao mesmo tempo, revelou que a CGTP aumentou as garantias de segurança que deu ao ministro, não o tendo, ainda assim, conseguido convencer: “Dissemos-lhe que podemos montar um cordão humano a enquadrar os manifestantes e que podemos controlar a sua entrada na ponte, de forma a que a atravessem de forma faseada, e não como uma multidão compacta”. A Intersindical continua a comparar o protesto com as corridas que ali se têm realizado: “No caso das maratonas, nunca houve necessidade de pareceres. A segurança é um pretexto para o veto político.”
 
“Não está em causa o direito à manifestação. O que está em causa é conciliar o direito à manifestação com o direito à segurança”, contrapôs Miguel Macedo, que no final da semana passada sugeriu a Arménio Carlos que marcasse a manifestação para a Ponte Vasco da Gama. Uma alternativa que o sindicalista assegura ser o próprio ministro a não considerar credível, dados os mais de 20 quilómetros que os manifestantes teriam de percorrer. Mas o ministro da Administração Interna fala nessa possibilidade como uma prova da boa-fé do Governo nas negociações que tem mantido com a Intersindical, para que a marcha se realize “em segurança e liberdade”.
 
“Esta não é uma matéria em que se possa confiar na sorte”, disse ainda Miguel Macedo. “Se algo correr mal, alguém tem de assumir a responsabilidade. Uma manifestação não é um problema de ordem pública, e sim um exercício de liberdade constitucional. Mas que conflitua com o direito à segurança e à circulação.”

À saída da audiência com o governante, os dirigentes da CGTP asseguraram que o ministro não havia proibido o protesto na ponte. “Disse-nos que não o queria fazer. Então vamos continuar tranquilamente a organizar a manifestação. Não vamos entrar em especulações nem dramatizações”, referiu o líder da Intersindical.

Um comunicado do Ministério da Administração Interna de sábado passado dava conta de dois dos três pareceres negativos sobre a manifestação. Dizia que a ponte não podia ser usada para este fim, mas concluía que a decisão sobre a matéria cabia porém “aos promotores da manifestação”.