Já foram destruídos 78 ninhos de vespa asiática em Viana do Castelo

Espécie predadora instalou-se, na semana passada, na zona urbana de Viana. Desde o final de 2012 foram detectados 85 ninhos de vespa asiática no Alto Minho.

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A destruição, neste sábado, de um ninho de vespa asiática numa moradia do centro de Viana do Castelo, na Abelheira, eleva para três os casos registados na última semana pelos bombeiros municipais na zona urbana da cidade.

Nos últimos dias a corporação já tinha sido chamada para proceder à destruição de dois ninhos: um na mesma zona da Abelheira; e outro no parque de estacionamento do hospital da cidade. Habitualmente, os ninhos encontram-se a mais de dez metros do solo, no topo de árvores, mas também aparecem em silvados e, mais recentemente, em zonas residenciais.

O segundo comandante dos Bombeiros Municipais de Viana do Castelo, António Cruz, disse ao PÚBLICO que a vantagem do aparecimento destes ninhos na zona urbana é a de serem mais rapidamente descobertos e destruídos. Pelo contrário, nas zonas rurais, os ninhos permanecem mais tempo sem serem detectado o que facilita a reprodução da espécie, que é originária do sudoeste da Ásia e foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus, em França, em 2004.

Balanço a 11 de Outubro

Em 2011 a sua presença foi detectada em Portugal. No Alto Minho, os primeiros ninhos de vespa velutina, conhecida também como asiática que ameaça a produção de mel, foram descobertos no final de 2012. Desde então, segundo os últimos números apresentados pela Protecção Civil do distrito, foram destruídos no Alto Minho 35 ninhos de vespa asiática. Estes dados estão desactualizados, confirmou ao PÚBLICO o segundo comandante operacional distrital de operações de socorro, Robalo Simões, porque nos últimos tempos a atenção da Protecção Civil esteve centrada no combate aos fogos florestais.

Robalo Simões adiantou que está já marcada, para dia 11 de Outubro, uma reunião solicitada pela Associação Apícola Entre Minho e Lima (Apimil) para fazer um ponto de situação.

No Alto Minho, as operações de identificação e destruição de ninhos de vespa asiática estão a cargo da Protecção Civil. Já foram detectados e destruídos ninhos em Ponte de Lima, Ponte da Barca e Monção, onde, em Junho passado, o acesso à sede da Junta de Freguesia de Sá foi vedado devido à presença de um ninho no tecto da entrada do edifício.

Com lança-chamas e a tiro

Em Viana, concelho que regista maior número de casos, a tarefa de destruição dos ninhos está a cargo dos bombeiros municipais. De acordo com António Cruz, desde Novembro de 2012 já foram “queimados” 78 dos 85 ninhos de vespa velutina detectados na região. As freguesias de Vila Fria, Sub-Portela e Santa Leocádia de Geraz do Lima são as que apresentam mais ocorrências. A destruição é feita com recurso a um lança-chamas adaptado e sempre durante a noite, “porque as vespas só recolhem ao ninho ao final do dia”.

Nos próximos dias alguns ninhos serão destruídos a tiro, por se encontrarem em zonas inacessíveis”. António Cruz explicou que são ninhos que se encontram a 35,40 metros de altura e que serão alvejados com armas de fogo. Uma vez no chão, serão queimados. Para este dirigente dos bombeiros municipais, só dentro de um ano será possível fazer um “balanço mais exacto” e perceber se estas operações resultaram.

“Quando se destrói um ninho, o objectivo é apanhar as vespas fundadoras estejam no interior. Se já tiverem saído, fazem novas colónias, e um novo ciclo de vida está garantido. É por isso que nas zonas rurais se propagam rapidamente, porque não são descobertas com facilidade”, sustentou.

Estas vespas, maiores e mais perigosas do que a abelha nacional, são uma verdadeira dor de cabeça para os apicultores da região. Em Janeiro, numa conferência de imprensa realizada na Protecção Civil de Viana do Castelo, Miguel Maia, técnico da Apimil explicou que, além de concorrerem com as abelhas na disputa de alimento, estas vespas são "agressivas" e atacam mesmo colmeias, com prejuízos para a biodiversidade e producção de mel. “Fazem com que as abelhas não saiam para procurar alimento, porque estão a ser atacadas, enfraquecendo assim as colmeias, que acabam por morrer”, ilustrou então.

Ainda assim, admitiu que a vespa velutina não representa um “perigo imediato” para os seres humanos. “Só se forem lá mexer”, avisou. Na altura, o responsável da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária presente no encontro com os jornalistas adiantou que a perigosidade desta vespa para o ser humano se traduz apenas naelevada quantidade de exemplares que cada ninho pode albergar.