Diana

Se há filme que se possa considerar “imune” ao que os críticos possam dizer, é este: a história daquela que terá sido a grande relação romântica de Diana, princesa de Gales, com o cirurgião paquistanês Hasnat Khan, iniciada pouco antes da célebre entrevista televisionada de 1995 e terminada poucos meses antes do acidente que lhe custou a vida em 1997. O filme do alemão Oliver Hirschbiegel (A Queda, 2004) é apenas mais uma das incontáveis “adendas” à lenda em que a “princesa do povo” se tornou, e como tal embarca de consciência tranquila na imagem mitificada de Diana como uma mulher simultaneamente senhora e prisioneira do seu estatuto de figura pública. Aqui e ali, dá sinais de querer levantar um debate sobre o direito à privacidade, mas prefere sempre o lado do melodrama romântico de água de rosas sobre a princesa e o cirurgião, filmado com a competência anónima e descartável a que a “qualidade britânica” nos habituou. Duas estrelas, então, porquê? Uma para Naomi Watts - que, mesmo lutando contra a ausência de parecença física, consegue transcender o lugar comum do argumento e criar uma personagem de mulher, mais do que apenas colorir o retrato (sobretudo face a um Naveen Andrews perfeitamente canastrão e muito pouco à vontade). A outra porque este é um filme que arvora honestamente a perfeita consciência que tem do que lhe é pedido e do público a quem se dirige: uma daquelas edições especiais comemorativas das revistas de famosos cheia de fotografias e convenções.