Seguro promete reverter mais cortes que venham a ser aplicados a reformados

Líder socialista rejeita novos apelos ao consenso, no encerramento da universidade de Verão do PS.

Seguro encerrou a universidade de Verão do PS
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Seguro encerrou a universidade de Verão do PS Miguel Madeira

Rejeição de mais cortes, ajuste de contas às mortes de bombeiros no combate aos incêndios e exigência de um mandato legal e multilateral para uma intervenção militar na Síria. O secretário-geral do PS, António José Seguro, encerrou a Universidade de Verão do partido, com uma resposta negativa aos novos apelos de consenso da maioria governativa, veiculados nos últimos dias.

Ainda que de forma velada, o líder socialista fechou essa porta ao anunciar a “firme oposição a mais cortes nas funções sociais do Estado” e também pela forma como atacou o primeiro-ministro.

Referindo-se à intenção de cortar mais de 4700 milhões de euros no Estado, Segurou reiterou que essa via só traria mais crise e “miserabilismo". Acusou o Governo de ter como objectivo “acabar com o Estado social” e de “dissimular” esse propósito. E foi até mais longe ao “assumir o compromisso” de que, caso o Governo avançasse com mais cortes sobre os idosos mais carenciados, com o PS no Governo iria “acabar com esse corte nas retenções”.

Seguro devolveu depois a Passos Coelho a responsabilidade de um eventual segundo resgate, aludindo à reacção do líder do Governo ao chumbo, pelo Tribunal Constitucional, da lei da requalificação da função pública.

“Não venha o primeiro-ministro com ameaças de segundo resgate. O segundo resgate que o primeiro-ministro periodicamente fala nada tem a ver com o Estado social”, afiançou para depois acrescentar que é “a incompetência e são as políticas erradas do Governo que colocam” o país “sob o risco de um segundo regate”.

Na sexta-feira, Pedro Passos Coelho, acenou com a ameaça de um segundo resgate. "Se não formos capazes, nos próximos meses, de sinalizar aos nossos credores esta reforma estrutural do Estado que garanta que a despesa baixa de uma forma sustentada, o que acontecerá é que não estaremos em condições de prosseguir o nosso caminho sem mais financiamento, sem um segundo programa que garante ao país os meios que ele precisa", declarou, em Bragança.

A intervenção do líder socialista arrancou com dois “assuntos da maior importância”. Referindo-se à iminência de uma intervenção militar externa na Síria, Seguro assumiu que o PS se iria opor  “a qualquer iniciativa militar sem um mandato legal aprovado no plano multilateral”.

Apesar de reconhecer que a utilização de armas químicas devia ser “punido de forma clara e legal”, definiu a “urgência de uma solução diplomática”, invocando a recordação do que “aconteceu há uma década com a intervenção no Iraque, com consequências que perduram até hoje”.

E depois prometeu para mais tarde uma avaliação crítica ao que estava a acontecer no combate aos incêndios. Sendo este o momento “do combate aos incêndios” e de “expressar solidariedade” pelos bombeiros mortos e populações afectadas pela calamidade, Seguro prometeu para mais tarde a análise dos “motivos destas mortes [de bombeiros] e das falhas na prevenção e no combate e meios aplicados” nas florestas portuguesas.